Dois haitianos mortos no Brasil

Homem de 34 anos que chegou ao país em 2011 é assassinado por brasileiros. Outro tem complicações decorrentes da Aids

Dois imigrantes haitianos morreram em Manaus nos últimos dias. Um foi assassinado na noite de sexta-feira. Outro era portador do vírus HIV e, na quarta, não resistiu a complicações decorrentes da Aids. Os dois casos são as primeiras fatalidades registradas desde o aumento da imigração de pessoas do país caribenho que deixaram a ilha após o devastador terremoto de janeiro de 2010, que deixou mais de 300 mil mortos.

De acordo com a Polícia Civil do Amazonas, o haitiano Inolus Pierrelys, 34 anos, encontrava-se do lado de fora de sua residência, por volta das 18h30 (20h30 no horário de Brasília), no bairro Cidade de Deus, quando dois jovens brasileiros se aproximaram. Um deles sacou um revólver e disparou contra Pierrelys, que morreu após ser alvejado no peito. Segundo os investigadores, a suspeita é de crime passional. Inolus Pierrelys vivia em Manaus, onde trabalhava em uma fábrica de reciclagem de papel, desde abril do ano passado. Ele morava com outros cinco haitianos em uma casa cedida pela Igreja Católica.

O haitiano que morreu na quarta-feira vítima da Aids não teve a identidade divulgada — ele estava internado na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, para onde outros dois imigrantes foram levados com a mesma doença. A situação começa a preocupar as autoridades do estado, que temem não ter capacidade de atender casos semelhantes — segundo fontes da Polícia Federal, há pelo menos 1,4 mil imigrantes que entraram pela cidade de Tabatinga (AM), na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

No Acre, onde há grande concentração de haitianos, segundo o Ministério Público Federal, existem diversos imigrantes acometidos por enfermidades como Aids, hepatite e doenças sexualmente transmissíveis.

Na quinta-feira, o procurador da República no Acre, Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, fez um alerta às autoridades federais sobre a situação dos haitianos no estado. Ele entrou com ação civil pública na Justiça Federal exigindo a interferência da União na questão dos imigrantes, depois que integrantes no Ministério Público fizeram uma inspeção e constataram a precariedade dos locais onde eles estão alojados nas cidades de Brasileia e Epitaciolândia, no sul do estado.

Por: Edson Luiz
Fonte: Correio Braziliense 

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