Amazonas Energia lidera perdas de R$ 1,6 bi

Em 2010, as distribuidoras federalizadas tiveram prejuízo somado de R$ 1,63 bilhão. Grande parte desse valor vem da Amazonas Energia, cujo prejuízo em 2010 foi de R$ 1,37 bilhão. Ao longo de seis anos, desde a federalização até 2010 (último resultado informado), essas distribuidora de energia registraram perdas consecutivas cuja soma alcança R$ 4 bilhões.

As distribuidoras da Eletrobras que foram federalizadas pelo governo federal a partir de 2005 são ativos problemáticos com grande peso no balanço da estatal. Entre 2005 e 2011, a holding de energia investiu R$ 5 bilhões nas seis distribuidoras, dos quais 1,1 bilhão em 2011. Em 2008, a Companhia Energética do Amazonas (Ceam) foi incorporada à Manaus Energia, que teve o nome mudado para Eletrobras Amazonas Energia. Um ano depois a Eletrobras decidiu centralizar a gestão, tarefa que ficou a cargo de Flavio Decat, hoje presidente de Furnas.

O diretor de distribuição da Eletrobras, Marcos Aurélio Madureira da Silva, reconhece as dificuldades e diz que mesmo assim é preciso investir para melhorar esses resultados. Em 2012 a previsão de investimentos da Eletrobras em distribuição é de R$ 2 bilhões. O valor não inclui a Celg, endividada distribuidora que está em fase de aquisição de 51% das ações ordinárias, hoje controlada pelo governo de Goiás, pela Eletrobras. O negócio deve ser fechado ainda esse mês, segundo da Silva, e não agrada analistas de mercado.

Ricardo Corrêa, da Ativa Corretora, diz que a federalização da Celg é “mais uma sinalização clara de que a Eletrobras mudou pouco e talvez esteja aprofundando-se nos problemas que afligem o valor da empresa há alguns anos” ao “premiar a gestão ineficiente e descomprometida de uma estatal estadual.”

O diretor de distribuição da holding estatal de energia admite que a situação das empresas é ambígua já que é preciso “buscar uma performance equivalente à de uma empresa privada com o desafio de ser governo”.

Um dos objetivos de Madureira da Silva é reduzir o índice médio de perdas das empresas, hoje em 34%, para 20% até 2014. Ao mesmo pretende recuperar os prejuízos do passado e atender o crescimento acelerado do consumo de energia na região das distribuidores, já que uma parte está instalada no chamado “sistemas isolados” que abrange os Estados do Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Amapá e Mato Grosso – totalmente ou em parte.

O diretor também enumera entre os problemas os custos elevados dessas empresas e o empreguismo, que a Eletrobras vai tentar combater com um plano de demissões voluntárias.

Fonte: Valor Econômico

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