Avião cai e deixa 4 mortos em Cametá

Ainda permanece um completo mistério as causas que levaram à queda do avião bimotor prefixo PT-LOU, modelo Beechcraft Baron, da empresa Norte Jet Táxi Aéreo, que caiu por volta das 10h de ontem, após decolar no município de Cametá, nordeste paraense, em direção a Belém. Quatro pessoas estavam a bordo da aeronave e morreram na hora.

O bimotor estava a serviço da empresa Prosegur, que faz transporte de valores. O avião levantou voo de Belém no início da manhã de ontem e pousou no aeródromo de Cametá 40 minutos depois. Na bagagem, levava dinheiro para a agência do Banco do Brasil do município. Às 9h30, decolou de volta à capital em sua última viagem.

As vítimas são o piloto Carlos Eduardo da Silva Campos, 52 anos, o copiloto Carlos Eduardo Arruda Broccai, 43 anos, e mais dois seguranças da Prosegur: Beminedson Monteiro Barbosa, 29 anos, residente no município de Bagre, e Antônio Maria Miranda da Cunha.

“Recebemos a chamada comunicando o acidente pouco depois das 10h. O bimotor caiu a cerca de 500 metros da cabeceira da pista”, disse o capitão Davis Ricardo Baeta, subcomandante do 9° Subgrupamento Bombeiro Militar de Cametá. Informações colhidas no local dão conta que o bimotor teria perdido altitude logo após a decolagem, batido numa árvore e caído de bico no solo.

Na tarde de ontem, o capitão Baeta esteve no local do acidente, de difícil acesso dentro da mata. O caminho foi aberto à base de motosserra. “Pudemos visualizar apenas três corpos logo no início, que estavam totalmente carbonizados, mas acabaram sendo resgatados quatro corpos da aeronave”, conta.

A preocupação principal do Corpo de Bombeiros era chegar o mais rápido possível ao local da queda para preservar a área e não prejudicar o trabalho da perícia. Além dos bombeiros e de uma equipe do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves – Núcleo de Abaetetuba, estavam no local representantes da Polícia Civil e do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa).

À ESPERA DO LAUDO

O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica em Brasília informou que o trabalho do Seripa se restringirá à investigação das causas que levaram ao acidente. Como houve vítimas, caberá à Polícia Civil instaurar inquérito para apurar as responsabilidades.

Em nota, a Prosegur lamentou a queda da aeronave contratada para o transporte de malote entre as cidades de Belém e Cametá. A empresa disse ainda que está prestando toda a assistência necessária às famílias de seus colaboradores envolvidos no acidente. A Norte Jet informou que vai aguardar pelo laudo do Seripa para se pronunciar acerca do acidente.

Emersom Colleri, do comercial da empresa Norte Jet Táxi Aéreo, disse, na noite de ontem, que a aeronave acidentada estava em perfeitas condições de funcionamento e que apenas quem estava dentro do bimotor poderia dizer o que aconteceu. “Infelizmente não houve sobreviventes dessa tragédia. Agora vamos aguardar o laudo do Seripa que irá investigar as causas reais do acidente para podermos nos manifestar”.

A aeronave tinha 56 horas de voo após a última manutenção e, segundo a empresa, o piloto e o copiloto tinham mais de 20 anos de experiência.

Vítima tinha relatado problemas no avião

Os corpos das vítimas do acidente aéreo em Cametá chegaram em Belém por volta das 19h30. O desembarque foi feito no hangar do Estado, no Aeroporto Internacional Júlio Cezar, em Val-de-Cans. De lá, os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.

Segundo a assessoria de imprensa do CPC Renato Chaves, somente às 8h de hoje uma equipe formada por médicos legistas e odontólogos vai iniciar o trabalho de necropsia.

Os peritos tentarão identificar os corpos pela arcada dentária, mas, por causa do alto grau de carbonização, eles só deverão ser identificados por meio de exames de DNA. Para isso, será coletado material biológico dos corpos e depois dos parentes dos ocupantes do avião para ser feito o “cruzamento genético”para a identificação das vítimas.

Esse trabalho ainda não tem prazo para se encerrar. Segundo a assessoria de imprensa, a pesquisa de DNA é demorada e depende da qualidade e do tipo de material coletado. Como o grau de carbonização foi alto, será difícil encontrar sangue e músculos. É mais provável que sejam coletadas amostras de cartilagens, ossos e dentes.

Parentes do segurança Beminedson Monteiro Barbosa, 28, que trabalhava há três anos na empresa Prossegur, contaram que desde a ida de Belém

para Cametá o avião já apresentava problemas. “Ele (Beminedson) reclamou que uma hélice do avião tinha parado”, contou Ivanice dos Santos Moraes, irmã de Adriana Moraes, mulher do segurança. O casal vinha enfrentando o drama recente de ter perdido, há três meses, um filho com cinco dias de nascido.

Segundo Ivanice, antes da partida, em Cametá, foi feita uma tentativa de contato com a empresa, em Belém, mas o telefone não tinha sinal e todos acabaram embarcando. O avião não conseguiu ganhar altitude,

bateu em uma árvore e caiu de bico no chão, explodindo logo em seguida.

A família decidiu realizar o funeral de Beminedson na Igreja de Aparecida e ainda aguarda uma definição por parte da empresa sobre o local do enterro. Mas, segundo familiares, a empresa tem dado todo o apoio para a família até agora.

O irmão Bemieriton Monteiro Barbosa, um ano mais novo, contou que Beminedson também era músico, como ele, e tocava teclado, mas era apaixonado pelo trabalho que fazia. “Era uma coisa que ninguém conseguia tirar da cabeça dele”. Eles se encontraram pela última vez no domingo passado, na casa de Bemieriton.

Os parentes das demais vítimas que compareceram ao IML não quiseram falar com a imprensa. Os representantes da empresa Prosegur também preferiram deixar o IML sem dar declarações.

Fonte: Diário do Pará

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