Construção de corredor ecológico pode salvar fauna após redução do Parque Sumaúma, em Manaus

Uma das espécies com maior risco é o sauim-de-coleira, que deverá sofrer com redução de alimento e abrigo

Espécie de primata sauim-de-coleira, cujo habitat natural restringe-se a Manaus

A criação de um corredor ecológico que seja conectado a fragmentos florestais pode reduzir os impactos sobre a fauna que vive no Parque Estadual Sumaúma provocados pela expansão da Avenida das Torres, na Zona Norte. O projeto elaborado pelo pesquisador Marcelo Gordo, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), já foi apresentado aos engenheiros da Secretaria Estadual de Infra-Estrutura (Seinfra).

O assunto deverá ser discutido na audiência pública ambiental, marcada para acontecer no próximo dia 16, no Centro de Convivência da Família Padre Pedro Vignola, Cidade Nova I, núcleo 8, das 9h às 12h. .

A fauna silvestre do Parque Estadual Sumaúma é rica de mamíferos, além de aves de diferentes espécies. Além de animais como pacas e cotias, um dos mais comuns é o sauim-de-coleira, espécie ameaçada de extinção.

Intercâmbio

Segundo Gordo, com a redução do espaço para o sauim-de-coleira, haverá redução de alimento, abrigo e aumento de conflito entre os grupos por território.

Ele diz que os corredores dariam a chance de circulação da fauna por conta própria com baixo risco de atropelamentos ou outros acidentes. Esse intercâmbio de animais e plantas (pois animais levam pólen e sementes) entre os fragmentos é extremamente importante.

“O isolamento do parque inviabiliza a sobrevivência dos sauins e provavelmente de muitas outras espécies em médio prazo de 40 e 50 anos. A conexão com outras áreas florestadas aumenta a chance de sobrevivência dessas populações. E a conexão deve ser feita com grandes áreas. Mas isso só é possível se usarmos os fragmentos de floresta que ainda existem em Manaus e aos poucos formos ligando todos eles até chegarmos na Reserva Ducke”, explicou o pesquisador.

Conforme Marcelo Gordo, o projeto não possui um custo alto e ainda poderá causar uma repercussão positiva.

Inédito

“Se o governador tiver uma visão aberta, vai ver que isso é uma inovação em nível nacional e se tratando de um ambiente urbano, uma inovação mundial. É a chance de termos um marco de uma nova concepção de progresso em uma cidade peculiar como Manaus, que ainda tem grandes manchas de vegetação nativa com fauna exuberante”, destacou.

A pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Rita Mesquita, participante de um grupo de discussão formado para analisar os impactos sobre o parque e apresentar propostas de compensações, destaca que, caso o projeto da Ufam seja incorporado ao empreendimento, Manaus teria o seu primeiro corredor de fauna. A partir dele, segundo Rita, se adotaria em Manaus uma nova maneira de se “fazer essas obras”.

“Essa conexão tem que ser feita. Vamos ter área protegida na rua. Mas quando a gente reserva um Parque Sumaúma para a Cidade Nova está atendendo a uma necessidade social. Não é só para o macaco sauim-de-coleira. Tem a ver com a qualidade de vida das pessoas também”, analisou Rita Mesquita.

A titular da Seinfra, Waldívia Alencar, foi procurada para comentar a proposta. A assessoria de imprensa do órgão informou que ela está viajando e que, so mente nesta quinta-feira (09), poderia responder às questões.

Por: Elaíze Farias
Fonte: A Crítica 

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