Impunidade favorece Jader

Levantamento da “Folha” mostra engrenagens que retardam processos

Deficiências do aparelho judiciário do país e falhas cometidas por juízes, procuradores e policiais estão na raiz da impunidade dos políticos brasileiros, provocando atrasos nas investigações e em outros procedimentos necessários para o julgamento dos acusados.

Um caderno especial publicado pelo jornal “Folha de S.Paulo”, em sua edição, mostra que investigações sobre políticos demoram mais que o normal e se arrastam por anos sem definição. Exemplo disso, segundo o jornal, é Jader Barbalho (PMDB-PA). Enquadrado como ficha suja na eleição de 2010, ele só conseguiu uma vaga de senador porque o Supremo, já no final do ano passado, entendeu que a Lei da Ficha Limpa não poderia valer para o pleito daquele ano. O parlamentar é um dos personagens principais – senão o principal – da edição especial, que lhe dedica duas páginas.

“Erros cometidos por juízes e procuradores contribuíram para que um processo em que o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) é réu se arrastasse por uma década e meia sem chegar a uma conclusão”, diz matéria assinada pelos repórteres Rubens Valente, Fernando Mello e Felipe Seligman.

Segundo a “Folha”, a Polícia Federal leva em média pouco mais de um ano para concluir uma investigação. Inquéritos analisados pela Folha que já foram encerrados consumiram o dobro de tempo. O levantamento mostra que deficiências do aparelho judiciário do país e falhas cometidas por juízes, procuradores e policiais estão na raiz da impunidade dos políticos brasileiros, provocando atrasos nas investigações e em outros procedimentos necessários para o julgamento dos acusados.

O jornal analisou 258 processos que envolvem políticos e estão em andamento no STF ou foram arquivados pela corte recentemente, incluindo inquéritos ainda sem desfecho e ações penais à espera de julgamento. Os processos envolvem 166 políticos que só podem ser investigados e processados no Supremo, um privilégio garantido pela Constituição ao presidente da República e seu vice, a deputados federais, senadores e outras autoridades.

“O senso comum sugere que esse tipo de coisa acontece porque os políticos têm condições de pagar bons advogados para defendê-los na Justiça, mas a análise dos processos mostra que em muitos casos as investigações simplesmente não andam, ou são arquivadas sem aprofundamento. Só dois casos do conjunto analisado pelo jornal estão prontos para ir a julgamento”, escrevem os três repórteres.

Fonte: O Liberal

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