Jorge Viana pede providências para os problemas da aviação na Amazônia

04-Fev-2012 Passagem aérea Rio Branco-Brasília ida e volta em alta temporada é uma das mais caras do mundo, diz senador acreano

O senador Jorge Viana (PT-AC) denunciou ontem, da tribuna, a situação precária dos voos comerciais para a Amazônia, em especial para o Acre, e reclamou das empresas aéreas, que foram socorridas pelo governo diante do risco de apagão aéreo no fim do ano, mas cobram preços exorbitantes, apesar da demanda crescente de passageiros. O parlamentar citou especialmente o caso do Acre, que acaba de perder um voo regular da Gol e onde o preço de um bilhete ida e volta a Brasília, na alta temporada, chega a custar R$ 6,7 mil.

“Temos que cuidar dos problemas da aviação agora e em função dos interesses dos brasileiros. Se fizermos isso, vamos também estar criando condições para podermos ter boa Copa do Mundo e boas Olimpíadas”, afirmou o senador acreano. Viana pediu a intervenção da Anac para regularizar os voos com destino ao Acre e o apoio do Ministério Público Estadual e do Ministério Público Federal no Estado para um movimento em favor da melhoria dos serviços aéreos na região.

Basicamente, afirmou que as empresas aéreas precisam explicar três pontos: por que as empresas aéreas operam com restrição de passageiros com destino ao Acre, aceitando um limite máximo de 115 ocupantes, quando a capacidade de voo é de 145; por que as passagens são tão caras; e por que nunca há promoções para voos com destino ao Acre.

Segundo o senador, a situação é grave porque as empresas brasileiras fixaram os preços mais caros do mundo para suas passagens e oferecem um dos serviços mais precários aos cidadãos brasileiros. “Não é só em relação à falta de infraestrutura dos terminais de passageiros ou das pistas. É verdade que é uma soma de problemas, mas as companhias aéreas não têm o direito de, sendo concessionárias num dos mercados mais atrativos do mundo, prestar um serviço na qualidade que está sendo oferecida ao cidadão brasileiro”, protestou, enfatizando que, principalmente para os Estados da Amazônia, transporte aéreo é serviço de primeira necessidade.

Baseado em dados da Infraero, Jorge Viana mostrou ao plenário que o Brasil, nos últimos dois anos, teve um dos maiores crescimentos no número de passageiros no mundo, saindo de 50 milhões em voos domésticos em 2009 para 80 milhões em 2011, num crescimento de 15% no mesmo período em que a economia mundial sofreu retração.

Apesar do crescimento no volume de passageiros, ele mostrou que o número de aeroportos regionais em operação caiu de 182 para 130, provocando um gargalo no sistema de transporte aéreo e prejudicando o desenvolvimento dos Estados.

O senador afirmou ainda que, no caso do Acre, a situação é gravíssima. “A pista de pouso de Rio Branco, que tinha 2.600 metros nos anos 90, foi reduzida para 2.158 metros. O aeroporto foi construído em terras de um amigo dos governantes da época, em terreno frágil e sem água num raio de cinco quilômetros. Além disso, a pista foi construída transversalmente ao sentido do vento, o que transforma todas as aterrissagens e decolagens em operações de risco”, acrescentou.

Jorge Viana encaminhou cartas aos presidentes da TAM, Líbano Barroso, e da Gol, Constantino Junior, pedindo explicações, respectivamente, sobre as tarifas e a retirada do voo para o Acre, com cópias para a Anac e para a Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República.

Fonte: Página 20

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