O Clima Errado para Grandes Barragens

Novo Tour em ambiente Google Earth revela como boom global na construção de Barragens poderá agravar a Crise Climática

International Rivers e Amigos da Terra-Internacional se uniram para criar um novo tour e vídeo em Google Earth narrado pelo ativista nigeriano Nnimmo Bassey, vencedor do prestigiado Premio Pela Vida Correta (Right Livelihood Award).

A produção foi lançada no primeiro dia da COP 17, em Durban, África do Sul. O vídeo e o tour permitem que os internautas explorem por que as barragens não são a resposta correta às mudanças climáticas, através de visualizações sobre temas como as emissões de gáses de efeito estufa de reservatórios, segurança de barragens, e adaptação à mudança climática, por meio de estudos de caso na África, nas Himalaias e na Amazônia.

Assista ao vídeo:

A produção Google Earth ilustra três grandes motivos para se concluir que as grandes hidrelétricas, embora caracterizadas por seus proponentes como “energia limpa” são uma resposta equivocada para as mudanças climáticas:

As vazões dos rios estão cada vez mais imprevisíveis. A construção de grandes barragens têm sido sempre baseada na suposição de que os futuros padrões de fluxo d’água irão se espelhar no passado, mas isso é cada vez mais longe da verdade. As mudanças climáticas já começam a mudar significativamente e de forma imprevisível as padrões de precipitação. Secas mais frequentes afetem fortemente a rentabilidade de muitas hidrelétricas. Episódios extremos de alta precipitação aumentam o risco de falhas em barragens e o potencial de inundações catastróficas.

Rios saudáveis são fundamentais para sustentar a vida na Terra. Grandes barragens tornam mais difícil para os seres humanos e ecossistemas a jusante se adaptarem a mudanças climáticas, pela redução da qualidade e quantidade da água, com fortes impactos sobre matas ciliares, igapós e outras zonas úmidas, além da inundação de terras produtivas e graves consequências para atividades de pesca que sustentam populações locais.

Os reservatórios de grandes barragens, especialmente nos trópicos, emitem quantidades muito significativas de gases de efeito estufa, inclusive o metano. Em contraste, os rios saudáveis, sem barragens, desempenham um papel crucial na captura do carbono.

O tour ilustra como o derretimento das geleiras nas Himalaias – um dos reflexos das mudanças climáticas globais – pode aumentar as inundações e os riscos de segurança para comunidades que vivem a jusante das barragens. O tour mergulha ao espectador na profundidade de um dos reservatórios mais sujos do Brasil, da Usina de Tucuruí, para visualizar como o material orgânico em decomposição produz o gás metano, muito mais potente do que o CO2, nos reservatórios e vertedouros. Finalmente, o tour demonstra projetos inovadores descentralizados – com enorme potencial para atender de forma mais eficiente as necessidades de energia e água na África, reduzir os riscos econômicos de barragens vulneráveis secas, e proteger os rios que são essenciais para a vida de todos nós.

Explorar o tour de Google Earth 3-D:

Instale o programa Google Earth
Faça o download do Tour de  Google Earth (Cortesia do Internet Archive)

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