Pecuária: Cadeia produtiva da carne em Rondônia já responde pela metade do PIB

O volume de exportação de carne desossada de Rondônia em 2011 foi de 50 mil toneladas, gerando divisas de U$$ 211, 7 milhões, assim como 41,3 mil toneladas de carne industrializada, contabilizando mais U$$ 32 milhões e 8,5 mil toneladas de miúdos e subprodutos, no valor de U$$ 25,5 milhões. Os principais destinos da carne rondoniense são: Egito, Hong Kong, Argélia, Rússia, Venezuela, Arábia Saudita, Líbano, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Gaza e Jericó.

No mercado interno, a cadeia produtiva da carne de Rondônia participa com uma fatia anual importante, com destaque para os estados de São Paulo com 220 mil toneladas, Rio de Janeiro, 81,3 mil toneladas, Santa Catarina 40 mil toneladas, Minas Gerais 16,1 mil toneladas e Rio Grande do Sul com 2,1 mil toneladas de cortes especiais para churrasco, costelas e picanhas.

A carne in natura rondoniense em 2011 foi comercializada em diversos estados no território nacional, somando ao todo 446 mil toneladas. O mercado estadual consumiu 54,2 mil toneladas, com o abate de 2 milhões anuais, a média de 180 mil cabeças ao mês, uma taxa de 20% de desfrute do rebanho de 12.068,525 animais. Rondônia participa no ranking Nacional com U$$ 411,2 milhões do (PIB) Produto Interno Bruto.

Depoimentos O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho, em depoimento ao Decom, declarou que “as parcerias com os estados fazem parte do contexto onde se compõe eficiência técnica com resultados positivos entre ambas as partes. Neste sentido, chamo atenção para a parceria com o Estado de Rondônia, estabelecida nos últimos anos, especialmente na condução da agropecuária”.

“Há muitos pontos relevantes que devo destacar. O primeiro refere-se ao rebanho bovino de cerca de 12 milhões de animais. A pecuária é responsável pela metade do Produto Interno Bruto (PIB) estadual como mostram as estatísticas de valorização da produção em Rondônia. Em segundo lugar, ressalto o Serviço Veterinário da (Agência Idaron), responsável pelas atividades de saúde animal, que foi estruturado ao longo dos últimos dez anos em uma parceria entre os nossos governos, associando neste espaço também o setor privado, representado pelo Fundo de Erradicação da Febre Aftosa (FEFA)”, acentuou Ribeiro Filho.

Segundo ele, “o Ministério da Agricultura tem repassado de forma sistemática e contínua, recursos financeiros para a manutenção da infraestrutura e custeio das ações de vigilância sanitária, fiscalização, apoio às campanhas de vacinações contra febre aftosa e demais necessidades de prevenção e combate a outras doenças como brucelose, tuberculose, peste suína clássica dentre outras”.

“O Ministério da Agricultura e o governo do Estado tem trabalhado no desenvolvimento de ações para erradicação da febre aftosa. Rondônia é reconhecida internacionalmente pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como livre de febre aftosa com vacinação desde 2003”, destacou o ministro, acrescentando que “a manutenção desse status tem requerido enorme esforço dos técnicos e produtores da região, em razão do Estado possuir fronteira com a Bolívia, país infectado pela febre aftosa, doença que preocupa a todos. O sistema especial de vigilância e fiscalização, ao longo da fronteira, foi estabelecido com desenvolvimento permanente de trabalhos conjuntos com o serviço veterinário boliviano incluindo, nesse esforço, a vacinação de animais naquele país em uma faixa de até 100 quilômetros a partir do limite (fronteiras) dos dois países,” finalizou o ministro.

Vitalidade Para o governador Confúcio Moura (PMDB), “pecuária de corte em Rondônia tem enorme vitalidade, o que mais necessita no momento é de boi gordo para atender o potencial de todos os frigoríficos instalados que é grande. O governo incentiva e o empresário investe.” Moura assegurou que “vai promover uma campanha estadual de melhoria de pastagens, para recuperar áreas degradadas no Estado”. Segundo ele, “esse será um modelo para o Brasil, como será também uma inovação no aumento da capacidade de animais por hectare de pasto, no sistema de confinamento”.

Para o governador o “Estado tem potencial. Os produtores respondem rapidamente e com certeza, a indústria de carnes aumentará sua capacidade de exportação do boi verde rondoniense para o mundo inteiro”.

De outra parte o secretário de Agricultura e Pecuária de Rondônia, Anselmo de Jesus, entende que além do potencial da pecuária de corte há também uma boa participação no PIB da produção leiteira com 2,2 milhões de litros por dia inspecionado, e com perspectivas de crescimento, que virá com a recuperação de pastagens.

Para o secretário, “estes setores são importantes para a economia do Estado que deve aumentar a produtividade com equilíbrio ambiental e sustentáveis, focados nos programas do governo do Estado melhorando a vida dos produtores rurais”.

Fiscalização O médico veterinário, fiscal federal chefe do Serviço de Inspeção de Saúde Animal no Estado, Francisco Ives Tavares, informa que Rondônia faz parte e atende ao Programa Nacional de Controle de Resíduos e contaminantes (PNCRC), cuja participação é pré-requisito para o atendimento aos acordos bilaterais com países consignatários do “Codex Alimentarius” e Organização Mundial do Comércio (OMC), sendo que no ano de 2011, obteve 100% de conformidade em seus produtos, tanto os exportados quanto os destinados ao mercado interno.

Isso, segundo Tavares, assegura que o Ministério da Agricultura está fazendo o seu trabalho, fiscalizando junto aos estabelecimentos produtores e pecuaristas a questão higiênico-sanitária e inocuidade dos produtos, levando confiabilidade ao mercado internacional.

Mercado europeu Outro aspecto interessante para Rondônia neste mercado tão disputado e fiscalizado é o fato de que na última reunião do Fórum Global para Agricultura e Alimentação, que aconteceu em Berlim nos dias 19 a 21 de janeiro, o comissário europeu para Saúde e Defesa do Consumidor, John Dalli, informou que a União Europeia está analisando e se propôs resolver com brevidade a abertura do mercado de Rondônia para o bloco.

Esse reconhecimento dos esforços de técnicos e produtores rurais, está chegando em boa hora, restando apenas as questões burocráticas, politicas e econômicas entre as partes envolvidas. A abertura do Mercado Comum Europeu à Rondônia agregará valor aos produtos daqui e incrementará a geração de divisas para o Estado e federação.

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