Decreto proíbe saída de peixe do Pará

Começou a valer ontem o decreto que proíbe a saída do pescado “in natura” em todo o Estado durante a Semana Santa. Pelos próximos 20 dias, os pescadores paraenses estarão impedidos de comercializar pescado fresco, resfriado, salgado ou congelado com outros Estados. “Apenas o pescado ‘sifado’, aquele com selo de inspeção federal, poderá sair do Estado. Os inspecionados pelo Estado e pelos municí-

pios estão com saída proibida”, esclarece a diretora de pesca da Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura (Sepaq), Jossandra Pinheiro.

Com a medida, o governo pretende garantir o abastecimento interno e evitar a subida de preço, comum nesse período. A expectativa é que espécies mais nobres, como a pescada amarela, estejam à disposição dos consumidores nas feiras e mercados a preços justos. “A fiscalização estará acontecendo nos postos de saída da Secretaria da Fazenda. Durante esses 20 dias, a Adepará também não estará emitindo as notas para saída de peixe fresco. A gente sabe que algumas pessoas insistem em driblar o decreto, tentando desembarcar em portos de outros Estados. Para ajudar nessa força-tarefa nós contamos com vários parceiros dentre os quais Ibama e Marinha”, informou a representante da Sepaq.

Mas para o peixeiro Raimundo Soares, a proibição do Governo não é capaz de impedir a exportação do pescado. Para ele, a fixação de tabela é fundamental para manter os preços estáveis. “Os barcos de importação vêm todos aqui buscar os peixes, meia-noite, uma hora da manhã. Levam todos os peixes graúdos e deixam só os miudinhos. Aí o preço dispara. Se não for tabelado, fica ruim para a gente que compra para revender e para o consumidor”, acredita o vendedor, que já dedicou 40 dos seus 64 anos à venda de peixe na área conhecida como “pedra” do Ver-o-Peso.

Nas feiras ainda é possível ouvir o anúncio de promoções. “Tambaqui de R$ 10 por R$ 8”, espalha o vendedor. Mas os fregueses sabem que os preços mais baixos não devem durar por muito tempo. “Hoje o preço está bom, mas para a Semana Santa deve aumentar, e muito. Quem não quiser perder dinheiro tem que correr para garantir o seu”, acredita o ex-metalúrgico Paulo Gonçalves, 81.

Opinião compartilhada pela aposentada Feliciana Silva, 67, que não abre mão de um bom peixe na mesa. “Sexta-Feira Santa é sagrada. Tem que ter peixe em casa. O jeito é comprar agora e deixar congelando em casa que não tem problema, não tem perigo de estragar”, ensina a experiente consumidora.

Fonte: Diário do Pará

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