Governo ensaia ceder no Código

Depois da sequência de derrotas sofridas durante a quarta-feira na Câmara, o Palácio do Planalto começa a dar sinais de que poderá fazer concessões na discussão do texto do Código Florestal, e aceitar mudanças pontuais no texto aprovado pelo Senado, antes considerado inegociável pela ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

O tema foi alçado à condição de principal requisito para a votação da Lei Geral da Copa e primeiro passo para o arrefecimento da crise instalada entre Planalto e base aliada. “Quando não se tem acordo de um ponto importante, que é o novo Código Florestal e onde há uma vontade de parcela significativa dos deputados em votar a matéria, é óbvio que isso vai em cadeia tomando conta de todos os debates e discussões na Casa”, analisou o presidente da Câmara, Marco Maia, que assumirá a Presidência da República na próxima semana, por conta das viagens ao exterior da presidente Dilma Rousseff e do vice-presidente Michel Temer.

Apoiada por parte da base governista alinhada à bancada ruralista, a oposição condiciona o acordo para a votação da Lei Geral da Copa ao compromisso do Planalto em votar em uma data determinada o Código Florestal. “Isso está fora de cogitação”, afirma o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), que acirrou os ânimos com os ruralistas ao atribuir a “predadores da agricultura” o movimento que acabou por barrar a votação da Lei Geral da Copa, na noite da quarta-feira.

Tatto reconheceu a necessidade de baixar o tom da discussão, mas criticou a imposição de uma data para a votação do código. “Seria como colocar uma faca no pescoço do governo. A base não pode se aliar à oposição na exigência do compromisso de uma data”, disse o líder.

O decreto da discórdia

O prazo solicitado pelo governo para articular um acordo e votar o Código Florestal aperta o cerco contra os produtores que desmataram irregularmente áreas de reserva legal. Tudo porque, a partir de 11 de abril, eles precisarão averbar o espaço degradado — e se comprometer a entrar em um programa de regularização no prazo de 180 dias, sob pena de multa diária de até R$ 500 por hectare. O novo Código Florestal defendido pelos ruralistas anistia esses desmatadores.

Por: Karla Correia
Fonte: Correio Braziliense 

Deixe um comentário