Ruralistas e ambientalistas medem forças

Os ambientalistas retomaram o comando da Comissão de Meio Ambiente com a indicação do líder do PV, Sarney Filho (MA), com o que poderão se contrapor aos ruralistas, que mantiveram a Comissão de Agricultura, mas que terá um deputado do PSDB na direção, o que pode trazer mais moderação do que o DEM, que até aqui dominava a comissão. A Comissão de Agricultura será presidida por Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), um médico oriundo de um Estado com relativa participação no PIB agrícola nacional.

Apesar disso, a comissão “continuará trabalhando” pelo agronegócio, avisa, o ex-líder tucano Duarte Nogueira (PSDB-SP). “As prioridades do partido para a comissão serão a defesa da agricultura familiar e o apoio às cooperativas, já que 2012 foi eleito o ano dessas associações”, diz Nogueira, ruralista de Ribeirão Preto (SP).

Ex-presidente da comissão, o deputado Abelardo Lupion (DEM-PR) avalia que a mudança de comando “não vai mudar” os rumos do trabalho pela comissão. “O PSDB faz parte da bancada ruralista”, garante. Mas os integrantes do Núcleo Agrário do PT querem ampliar sua influência na Agricultura. O novo coordenador dessa bancada, o deputado Valmir Assunção (PT-BA), prometeu impor a agenda da reforma agrária e da agricultura familiar na comissão.

Os ruralistas têm baixas expectativas em relação ao PV na Comissão de Meio Ambiente. “No Meio Ambiente, sempre tivemos dificuldade. As discussões lá são pautadas por bandeiras políticas, e não pensando no que é melhor para o país”, diz Lupion. “Quando o assunto for importante, vamos levar à Comissão de Agricultura. No Meio Ambiente, vamos ganhar pelo tamanho da bancada”.

Na Comissão de Meio Ambiente, assumida pelo PV de Sarney Filho, a negociação “já estava costurada desde a escolha das Presidências no ano passado”, afirmou o deputado ao Valor. O líder do PV diz que esta será a primeira vez que o partido comandará a comissão. “O cargo passará para a mão dos ambientalistas”, comemora.

A prioridade da comissão se concentrará, em um primeiro momento, na Rio +20, diz Sarney Filho. “Nossa prioridade imediata é participar da Rio +20, mas também queremos introduzir as discussões sobre o marco legal das energias renováveis”, declara.

Mesmo no comando da “comissão verde”, os ambientalistas estão em desvantagem numérica em relação aos ruralistas. Por isso, Sarney Filho adotou um tom conciliador. “O racha causado pelo novo Código Florestal não precisa fazer parte de outras agendas”, diz.

Mas, diante de situação considerada “insatisfatória”, movimentos sociais e ONGs ambientalistas lançaram ontem um documento intitulado “Sobre os retrocessos do governo Dilma”. O texto critica alterações no Código Florestal, redução de unidades de conservação, perda de poder do Ibama, atropelos no licenciamento ambiental, paralisação da “agenda climática”, lentidão no saneamento, na mobilidade urbana, na regularização fundiária, aumento da violência no campo e aponta um Ministério do Meio Ambiente “inerte”.

Por: Tarso Veloso
Fonte: Valor Econômico 

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