Sobrepesca é um desafio à costa amazônica

Você sabia que a costa amazônica caracteriza-se por ter grande importância para a pesca no país e é a maior produtora de pescado marinho do Brasil, produzindo aproximadamente 120 mil toneladas por ano? Essa produção atende entre 300 e 400 mil famílias dependentes destes peixes só no Pará. Ela movimenta cerca de 30% da exportação de peixe marinho do Brasil, tendo como principal característica a grande produção de pescadas, camarão, lagosta e dos chamados grandes bagres, como a piramutaba e o filhote.

Em função do esgotamento dos recursos pesqueiros do Sudeste-Sul, a indústria pesqueira nacional e internacional está deslocando suas embarcações para a região e já se notam indícios de sobre-exploração.

Devido a essa grande produtividade biológica e diversidade de peixes, o professor Eduardo Tavares Paes, oceanógrafo e pesquisador da Universidade Federal Rural da Amazônia, desenvolve uma pesquisa que visa estudar as características dos processos físicos (chuva, ventos, correntes marinhas em grande escala, etc.) da região da costa amazônica para entender as razões dessa significativa produção pesqueira, além dos agentes que controlam a variabilidade biológica nos mares, fator de extrema importância que determina essa produção.

Existe um fenômeno natural que ocorre especificamente na região da Pluma do Rio Amazonas que consiste na alimentação das células vegetais aquáticas por nutrientes (como nitrogênio e fósforo) presentes nas águas das costeiras. Nas regiões de águas mais escuras, onde ocorre uma grande produção de células vegetais, elas realizam uma espécie de consórcio com uma cianobactéria (micro-organismos com um sistema fotossintetizante semelhante ao das algas) presente no ambiente aquático que absorve o nitrogênio do ar, ocasionando uma grande produção biológica e, consequentemente, altas taxas de sequestro de carbono. Este estudo possibilita identificar o que ocasiona os diferentes níveis deste sequestro, além de mapear e quantificar este fenômeno e as suas variações.

A taxa do sequestro de carbono na Pluma do Rio Amazonas é cerca de quatro a cinco vezes maior que a taxa do sequestro de carbono na floresta amazônica. Existe uma preocupação em alertar a população para a preservação dos sistemas costeiros, pois grande parte da floresta amazônica e dos rios e mares permanecem intactos. Devido a isso, o Brasil pode reivindicar grandes taxas de sequestro de carbono durante as conferências sobre o meio ambiente. O projeto está sendo desenvolvido a cerca de um ano e meio e é pioneiro no Brasil.

A pesca costeira, além de importante para o setor industrial, também possui importância social e econômica para as populações que vivem na costa amazônica – onde a sua principal fatia é justamente o Pará. A médio prazo, existe um projeto em andamento, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, que conta com o apoio da Ufra para viabilizar a aquisição de uma embarcação moderna e bem equipada que possibilite pesquisas in loco.

Fonte: Diário do Pará

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