Um ano depois, usina de Jirau enfrenta nova greve

Uma nova paralisação no canteiro de obras da Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia, põe em xeque a efetividade de um acordo firmado no início do mês entre governo, empresas e centrais sindicais para melhorar as condições de trabalho na construção civil.

O pacto tripartite foi articulado pela Secretaria-Geral da Presidência por quase um ano, motivado justamente pelos conflitos e atos de vandalismo nas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio (RO), em março de 2011, há um ano. Lançado em um grande evento no Palácio do Planalto, o acordo obteve a adesão de nove grandes empreiteiras, entre elas, a Camargo Corrêa, que se comprometeu a seguir as diretrizes nas obras de Jirau.

A nova greve foi iniciada há uma semana pelos funcionários da Enesa Engenharia, responsável pela montagem das turbinas, e recebeu a adesão dos profissionais da construtora, atingindo mais de 15 mil trabalhadores.

Eles reclamam das más condições do alojamento, como a superlotação e a falta de espaços de lazer, além do não pagamento de horas extras e o descumprimento de acordos coletivos do setor que preveem a promoção de cargo e premiação por superação de metas. O chamado Compromisso Nacional para o Aperfeiçoamento das Condições de Trabalho na Indústria da Construção aponta ações para aperfeiçoar o processo de recrutamento, qualificar os trabalhadores e garantir a representação sindical no canteiro de obras, além de reafirmar o cumprimento da legislação no que se refere a saúde e condições trabalhistas.

A Camargo Corrêa informou, por meio de sua assessoria, que os trabalhadores em greve da Enesa impediram que os profissionais da empreiteira “desempenhassem suas atividades regulares”. Além disso, afirma que a Enesa não é subcontratada por ela e, portanto, não poderia se responsabilizar pelo cumprimento do acordo por parte da empresa. O grupo Camargo Corrêa faz parte do consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), responsável pelo empreendimento.

A Secretaria-Geral da Presidência da República afirmou que, embora tenha sido assinado simbolicamente em evento no início do mês, o compromisso ainda não entrou em vigor. Para isso, é necessária a nomeação, pela presidente Dilma Rousseff, de uma mesa permanente para acompanhar a aplicação do acordo. “O conflito mostra a necessidade de acelerar a implementação do acordo. A expectativa do governo é que a Camargo Corrêa, que já aderiu ao acordo, também promova a adesão das demais empresas envolvidas com Jirau para que o acordo tenha efetividade na obra como um todo”, respondeu a Secretaria ao Valor.

A assessoria informou ainda que o governo está negociando com o consórcio ESBR a adesão ao acordo, que é voluntária, atingindo assim todas as empresas envolvidas no projeto de Jirau.

Um dos pontos do pacto, destacado tanto por centrais quanto pelo governo como um dos principais avanços, é a garantia de representação sindical no canteiro de obras. O pacto prevê até sete representantes dos sindicatos no local de trabalho – o número varia de acordo com a quantidade de empregados.

Na avaliação de Cláudio da Silva Gomes, representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) que participa das negociações juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Construção do Estado de Rondônia, caso essa garantia já existisse, o conflito poderia ter sido evitado. “Pelos motivos que eclodiram a greve, certamente que sim. Tendo uma comissão eleita pelos trabalhadores que buscasse com a empresa a resolução dos problemas que foram surgindo, isso poderia ter sido evitado”, declarou.

Ontem, o Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região determinou o fim da greve, sob pena de multa diária de R$ 200 mil aos trabalhadores das duas empresas. Uma assembleia está prevista para a manhã de hoje e o sindicato vai recomendar a retomada das obras e a abertura de negociação com os patrões.

Por: Yvna Sousa
Fonte: Valor Econômico 

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2 comentários em “Um ano depois, usina de Jirau enfrenta nova greve

  • 29 de março de 2012 em 9:05
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    Isso é literalmente uma falta de organização !!! uma vergonha para uma obra do tamanho da UHE, isso não pode ser aceitado, todos temos direito, mas a partir do momento q ingressamos em um trabalho sabemos dos direitos e deveres que temos, a “greve” é direito? a partir do momento que se organize as coisas e não simplesmente seja feito nas “coxas”, pois um bando de desordeiros, foram no embalo da ENESA, e com isso prejudicando muitos pais de família que ali estão para poder dar uma vida melhor para seus entes….. isso prejudica o estado, os funcionários que querem trabalhar, e ao crescimento do nosso país !!! bait vergonha, pois la dentro nao tem segurança, e viver com a dúvida de que a qualquer momento pode estorar alguma coisa, pegar fogo, agressões as pessoas que lá estão alojadas é a pior coisa do mundo !!! PARECE QUE ESTÃO DENTRO DE UM PRESÍDIO DE SEGURANÇA MÁXIMA !!! e é inadimissível !!!!

  • 19 de março de 2012 em 22:15
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    realmente a enesa não deixou os profissionais da CCCC, retornarem ao serviço, ameaçando. Observando sempre que se houvesse vandalismo seriamos literalmente culpados, pelo ocorrido em março de 2011…E agora está tudo parado por causa de um grupo de desordeiros..somente com liderança de ameaças..e não trabalho……

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