Avanço no plantio de girassol em MT

Com o plantio da safra 2011/12 já concluído, os produtores de girassol do Mato Grosso, responsáveis por 65% da safra brasileira, agora aguardam o início da colheita, que começa em maio.

Com 67,9 mil hectares cultivados, o país deve colher 94,6 mil toneladas da oleaginosa neste ano, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Trata-se de um aumento de 13,8% em relação ao ano passado, quando foram produzidas 83,1 mil toneladas, extraídas de 66,4 mil hectares.

Todo o crescimento virá de Mato Grosso, onde a produção é estimada em 61 mil toneladas, um aumento de 24% ante as 49 mil registradas na temporada 2010/11. Praticamente toda a área cultivada no Estado encontra-se no entorno de Campo Novo do Parecis, a 400 km de Cuiabá.

O girassol se encaixou como alternativa rentável para a entressafra da soja e do milho nas propriedades mato-grossenses. “Logo vi que o plantio tinha futuro, pois ele se adapta bem a nossa safrinha já que as chuvas param exatamente no momento em que a planta não precisa mais de água (fase do florescimento)”, comenta Sérgio Stefanelo, que semeou 4 mil hectares pelo segundo ano consecutivo.

Há 18 anos, ele foi o primeiro agricultor a aceitar o desafio, proposto pela Embrapa e a Fundação MT, de testar em suas terras o desconhecido cultivo, que enfrenta dificuldades para se estabelecer em outros lugares do país.

Segundo ele, apostar no girassol foi a saída para um aproveitamento melhor do solo, das máquinas e da mão de obra das propriedades. Além do mais, a safrinha coube perfeitamente no calendário agrícola da região com o surgimento da ferrugem da soja, doença cujo principal controle é o plantio de variedades precoces, colhidas mais cedo.

A colheita do girassol sai das lavouras mato-grossenses e é encaminhada para a Parecis Alimentos, indústria construída há quatro anos por um grupo de 44 produtores com um aporte de R$ 9 milhões. O óleo bruto extraído por meio do processo de esmagamento dos grãos é vendido para companhias como Bunge e Cargill, que fazem posteriormente o refino.

A capacidade atual da fábrica é de 20 mil toneladas por ano, mas este volume pode ser multiplicado caso um sócio de capital estrangeiro, cujo nome não é revelado, se torne parceiro nesta expansão que consumiria R$ 60 milhões em investimentos. “Estamos em negociação desde o ano passado”, comenta Vitório Herklotz, diretor industrial.

Herklotz relembra os gargalos na produção já enfrentados pelos agricultores, como a falta de herbicidas específicos para a cultura e as sementes antes trazidas da Argentina, cujo material muitas vezes perdia a qualidade por conta da burocracia da importação. “Hoje temos variedades e defensivos à disposição oferecidos pelas empresas “, comenta.

O produtor Sérgio Stefanelo sabe como ninguém os percalços que enfrentou para fazer vingar a cultura e criar um mercado para ela. “No início, vendia a colheita para o setor de alimentação de pássaros”, relembra. Mesmo que muitos desafios tenham sido superados, o agricultor se queixa do custo alto de produção, calculado entre 16 e 18 sacas por hectare. A colheita rende entre 18 e 35 sacas por hectare. Nos últimos anos, o valor pago pela saca de 60 quilos oscilou de R$ 40 a R$ 45.

O girassol se adaptou na região porque encontra nela o volume necessário de chuva para se desenvolver e não corre o risco de ser atacado pela Sclerotinia, doença causada por um fungo que inviabiliza as plantações na safrinha do Sul. Por essa razão, sua expansão só é viável em lugares mais quentes, como o Cerrado e o Nordeste, explica o pesquisador Cesar de Castro, da Embrapa Soja (PR). Na região de Campo Novo de Parecis, há também produtores que investem no girassol alto oleico, tipo especial da planta que produz um óleo sem gordura trans, considerada nociva à saúde, e que por isso passou a atrair o interesse das indústrias de alimentos processados.

Mesmo que superados os percalços no campo, o avanço do consumo do óleo de girassol no país ainda esbarra no preço ao consumidor. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o consumo per capita da variedade é de 200 ml por ano, bem abaixo dos 6,86 litros do produto à base de soja. Ainda assim, os 27,4 milhões de litros de óleo produzidos no país são insuficientes para atender a demanda interna. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o Brasil importa 36,6 milhões de litros da Argentina – maior produtor mundial do grão, com um plantio de cerca de 2,6 milhões de hectares – e do Paraguai.

A produção incapaz de atender o setor alimentício foi um dos fatores que limitou a consolidação da cultura como mais uma alternativa para a fabricação de biocombustível, ao lado da soja, do milho e da canola, como havia sido planejado pelo governo federal em sua política de incentivo aos combustíveis limpos.

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