Barricadas em usina de Belo Monte foram feitas por movimentos sociais e não por trabalhadores, diz sindicato

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria da Construção Pesada (Fenatracop), Wilmar Gomes dos Santos, disse que as barricadas feitas no sábado (31) para impedir a ida de trabalhadores aos canteiros de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, foram promovidos por movimentos sociais organizados contrários a obras e não por representantes dos funcionários.

Segundo Santos, a greve foi encerrada após decisão tomada pelos trabalhadores durante a assembleia que ocorreu sexta-feira (30). “Essas barricadas não foram feitas por funcionários, mas por movimentos sociais organizados de cunho político e ideológico que, efetivamente, não querem a continuidade das obras. As usinas de Madeira [Santo Antônio e Jirau] inauguraram esse tipo de prática”, disse à Agência Brasil o presidente da Fenatracop, entidade à qual o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada do Estado do Pará (Sintrapav) é filiado.

O Sintrapav é o único sindicato reconhecido pelo Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) como representante dos trabalhadores das cinco frentes de obras que constroem a hidrelétrica. “Tivemos reuniões com a empresa, fizemos acordo e encerramos a greve após a decisão tomada pela assembleia na sexta-feira. Ao tentarmos voltar ao trabalho, no sábado, seguindo o acordado com a empresa, fomos impedidos pelos movimentos sociais extra-obra”, denuncia o sindicalista.

“Infelizmente esses movimentos sociais promoveram também confusão na porta da nossa assembleia, na tentativa de impedir nossa decisão de retornar ao trabalho. Não entro no mérito da posição defendida por eles ser ou não legítima, apenas repudio reclamações infundadas e o uso do nome dos trabalhadores para atingir esses objetivos, porque isso acaba complicando as conquistas que tivemos nas reuniões com os representantes das empresas”, argumentou.

Santos acrescenta que, a exemplo do que ocorre todos os meses, o consórcio dá folga aos trabalhadores no dia de pagamento, que é justamente hoje. A informação foi confirmada pelo consórcio construtor.

Belo Monte tem atualmente cinco frentes de obras. De acordo com o CCBM, na terça-feira apenas o sítio de Pimental havia sido paralisado pelo movimento grevista. Na quarta, foi a vez de o sítio Belo Monte parar, mas voltou às atividades na quinta-feira, enquanto Pimental manteve a paralisação.

Ainda na quarta-feira, um funcionário terceirizado morreu, após ser atingido por uma árvore. O CCBM garante que esse foi o primeiro caso de acidente fatal. Peritos da Polícia Civil já estão investigando o caso, mas há relatos de que a árvore cortada pelo funcionário estava enroscada em cipós e, ao cair, acabou arrastando outra árvore, que caiu em cima dele.

No sábado, após a assembleia de trabalhadores decidir dar fim à greve, alguns dos ônibus que saíram da cidade, indo para o canteiro, foram retidos na saída de Altamira (PA) por supostos funcionários do sítio Pimental. O consórcio informa que os manifestantes pararam todos os ônibus que estavam saindo para qualquer frente de obra.

O CCBM garante que nenhum trabalhador impedido de trabalhar pelos manifestantes terá seu dia de salário descontado. Atualmente há 7 mil funcionários contratados diretamente pelo consórcio. Mais 2 mil atuam por meio de empresas subcontratadas.

Por: Pedro Peduzzi
Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Fábio Massalli

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