Brasil minimiza a provável ausência de Obama na Rio+20

Mesmo sem nenhuma indicação de que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, virá ao Brasil em junho para a conferência de desenvolvimento sustentável Rio+20, há expectativa, no Palácio do Planalto, de que ele atenda ao convite levado a Washington nesta semana pela presidente Dilma Rousseff.

Obama foi reticente ao ouvir de Dilma que seria importante sua presença para prestigiar a conferência e explicou que os compromissos de campanha poderão impedi-lo de deixar o país. Segundo um assessor da presidente, no entanto, o governo brasileiro não descarta a possibilidade de uma breve visita de Obama ao Brasil, como fez em 2009, na Dinamarca, para outra conferência da ONU, a CoP-15.

A ausência de Obama é considerada provável nos EUA, motivada pela política interna americana, onde o assunto é polêmico; forças políticas e parte do eleitorado contestam até as evidências do aquecimento global. Autoridades em Brasília negam que seja uma confirmação dessa ausência a entrevista concedida no Rio pelo negociador-chefe brasileiro na Rio+20, André Corrêa do Lago, ontem, em que o diplomata disse considerar a reeleição de Obama seria mais importante que sua vinda à conferência.

Em sintonia com o que se comenta nos bastidores da conferência, Corrêa do Lago minimizou o impacto da possível ausência de Obama, argumentando que a presença dele “seria bem-vinda, mas não há analista que não saiba que o presidente dos EUA tem prioridade em tratar de sua reeleição”. Para o Itamaraty, não há oficialmente decisão sobre o tema, embora um graduado assessor do ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, admita que, em caso de ausência de Obama, o que importará ao governo brasileiro será assegurar uma participação de alto nível para a comitiva americana.

Corrêa do Lago chegou a afirmar que, pelo histórico dos democratas em relação ao desenvolvimento sustentável, tema da Rio+20, a reeleição de Obama seria “mais impactante” que sua vinda. No Palácio do Planalto, considera-se prematuro descartar uma possível visita do presidente americano, ainda que limitada a quatro horas, como sinal de apoio às discussões no Brasil.

Pela importância da conferência, que discutirá as propostas para garantir desenvolvimento global com preservação do meio ambiente, a decisão de não vir trará mais consequências negativas ao chefe de Estado que faltar do que à própria Rio+20, argumenta uma autoridade que acompanha as discussões, adiantando o tom a ser usado pelo governo brasileiro em relação à ausência de governantes.

Até agora, cem chefes de Estado já confirmaram presença, o que é comemorado como um sucesso pela diplomacia brasileira, embora não se revelem os nomes dos que garantiram a participação.

Côrrea do Lago destacou que o governo Obama tem priorizado o fortalecimento das decisões multilaterais e, em sua opinião, “um governo mais favorável ao multilateralismo dará um seguimento às decisões da Rio+20 com muito mais empenho”.

Por: Sergio Leo
Fonte:Valor Econômico

Deixe um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*