Cientistas pedem fortalecimento de organismos internacionais

A comunidade científica internacional, brasileiros incluídos, também movimenta-se para tentar influenciar os rumos da Rio+20. A exemplo do outros segmentos da sociedade, cientistas veem a necessidade de fortalecer os organismos internacionais que atuam na defesa do meio ambiente, com a criação de uma espécie de “Organização Mundial do Meio Ambiente”.

Reunidos no final de março em Londres, a comunidade divulgou a “Declaração sobre o estado do planeta”, resultado das discussões realizadas durante a reunião Planet Under Pressure, na qual alertam para a intensificação das crises sociais, econômicas e ambientais se medidas urgentes não forem adotadas imediatamente. “O planeta tem limites aos quais temos de nos adequar. Até 2050, teremos uma população de 9 bilhões de habitantes que terão de ter condições mínimas para viver acima da linha da pobreza. Mas o documento oficial não fala nada sobre isso”, explica Carlos Joly, diretor do Departamento de Políticas e Programas Temáticos da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

“A atividade produtiva tem de estar consciente de que estamos muito próximos dos limites do planeta e precisamos investir em soluções tecnológicas menos agressivas”, reforça Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe, o programa de pós-graduação e pesquisa em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A Coppe prepara-se para a Rio+20 desde 2011. Vai realizar o evento “Futuro sustentável: tecnologia e inovação para uma economia verde e a erradicação da pobreza”, entre os dias 13 e 24 de junho.

Alguns dos projetos desenvolvidos nos laboratórios da Coppe serão apresentados ao grande público. É o caso da primeira usina da América Latina a utilizar o movimento das ondas para produzir energia elétrica.

A exemplo da Coppe, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) também se prepara para a Rio+20, realizando e participando de eventos nacionais e internacionais. “Temos nos esforçado para que a discussão dos problemas comece aqui dentro. Nossos alunos precisam perceber que estamos falando da vida deles”, diz Luiz Felipe Guanaes, professor da Faculdade de Geografia e diretor do Núcleo Interdisciplinar do Meio Ambiente.

Como subsídio à Rio+20, a Universidade de São Paulo vai levar para a conferência a produção científica dos últimos 20 anos ligada à problemática da conferência. Os trabalhos do grupo de pesquisa de ciências ambientais do Instituto de Estudos Avançados (IEA) foram reunidos no livro “Governança da ordem ambiental, internacional e inclusão social” por Wagner Costa, professor do Departamento de Geografia da USP.

Fonte: Valor Econômico

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