Conflitos tendem a retardar o início das operações

As recentes greves nas obras das usinas de Jirau e Santo Antônio, que estão sendo construídas no rio Madeira, em Rondônia, não devem atrasar o andamento dos trabalhos em relação ao cronograma inicial, fixado nos leilões de concessão, mas podem comprometer o adiantamento pretendido pelos dois consórcios responsáveis pela construção e operação das hidrelétricas. No caso de Jirau, isso é muito provável. Além de 26 dias de paralisação, entre março e abril, os conflitos provocaram incêndio de parte de seus alojamentos. Na usina de Santo Antônio, o consórcio Santo Antônio Energia informa que ainda está avaliando possíveis impactos no cronograma.

“Não sei se vão conseguir compensar o tempo perdido com as greves, mas vão tentar”, diz o professor Luiz Pinguelli Rosa, diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ. Para ele, é preciso evitar a ocorrência repetida desses episódios com os operários, pois estão desgastando a imagem desses projetos. Carlos Faria, presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), avalia que as greves acenderam, no mínimo, um sinal amarelo para os consumidores de energia. “Das 27 usinas em construção, 22 têm atraso, o que certamente nos deixa muito preocupados”, afirma. “O desafio de acrescentar 5 mil MW novos por ano a partir de 2015 continua. O fato de a economia ter crescido menos em 2011 aliviou um pouco a pressão, mas isso tem um limite, porque vai chegar um momento em que precisaremos desses 5 mil MW para alimentar o crescimento.”

Para Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CEBIE), o acirramento das greves pode prejudicar o andamento das obras. “Há também o atraso na construção das linhas de transmissão, o que pode inviabilizar a venda da energia mesmo que as obras das usinas sejam entregues com antecedência”, avalia.

O especialista em infraestrutura observa também que a construção dessas usinas tem sido impactada pelas novas relações de trabalho, diferentes da época em que se construíam grandes hidrelétricas, como Itaipu. “Hoje, além do que prevê a legislação do trabalho, as empresas devem custear deslocamento, alojamento, alimentação e atendimento médico, assumir a formação e qualificação dos empregados e adotar medidas de segurança para o trabalhador, como a criação de comissões permanentes nas obras”, afirma Pires.

Por: Gleise de Castro
Fonte: Valor Econômico

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