Florestas precisam de lei para atrair capital

Recente estudo do Banco Mundial aponta que os estoques florestais brasileiros têm potencial de absorver 64% do capital gerado no planeta por créditos de REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação de Florestas). “É preciso regulamentação e mecanismos financeiros para dar segurança aos investimentos”, avalia André Nahur, diretor do WWF Brasil.

Nahur lembra que o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) lançará em 2014 novo relatório global com as curvas ascendentes de emissões de carbono e será necessário atuar em diversas frentes de mitigação. Sem a redução do desmatamento tropical, dizem cientistas, será impossível manter a temperatura do planeta abaixo de um nível que evite o risco de eventos climáticos extremos, com prejuízos econômicos e sociais.

“Com o mercado de REDD regulado, o valor do carbono capturado da atmosfera subirá, atraindo o interesse das empresas por projetos florestais eficientes e mensuráveis”, diz Nahur.

Pesquisa do Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM) mostra que um programa de créditos de carbono capaz de reduzir o desmatamento para próximo de zero em dez anos, com compensação financeira dos povos da floresta e proprietários rurais, custaria inicialmente US$ 72 milhões por ano, chegando a US$ 531 milhões do décimo ano.

“Caminhamos devagar sem um marco legal”, lamenta Virgílio Viana, diretor da Fundação Amazonas Sustentável, que remunera comunidades amazônicas para a adoção de práticas econômicas sustentáveis, capazes de manter a floresta em pé. Em quatro anos, a rede de hotéis Marriott repassou aos projetos US$ 2,2 milhões, dos quais US$ 200 mil se destinaram à compensação de emissões. Para se medir a emissão “evitada” a conta cruza dados sobre a evolução do desmatamento e sobre a floresta que permaneceu conservada.

O valor é de US$ 10 por tonelada de carbono. “Estima-se que a Amazônia Legal tenha um potencial de US$ 5 bilhões ao ano em créditos por desmatamento evitado”, revela Viana.

A região do rio Xingu (MT) receberá este ano 100 mil árvores semeadas no entorno de comunidades indígenas a cada gol de partidas de futebol transmitidas por emissoras de rádio, com recursos do Banco Cruzeiro do Sul. Nos últimos dois anos, o banco neutralizou 11 mil toneladas de dióxido de carbono com mudas plantadas na Mata Atlântica em parceria com clubes de futebol.

Fonte: Valor Econômico

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