Plenárias discutem temas que serão levados à Cúpula dos Povos

Cinco temas agregadores serão debatidos na Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental, no período de 15 a 23 de junho próximo, no Aterro do Flamengo, no Rio, paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.

“Nosso primeiro tema agregador refere-se a direitos por justiça social e ambiental. Não tem nada a ver com a conferência oficial mas, para nós, é tema central”, disse à Agência Brasil a integrante do Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio+20, Fátima Mello. Alguns desses temas não constam da agenda oficial da conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), como direitos, por exemplo, mas serão abordados em plenária na Cúpula dos Povos, acrescentou.

A segunda plenária discutirá a luta contra a mercantilização da natureza e a defesa dos bens comuns, indo contra a chamada economia verde, que constitui uma das principais questões da agenda oficial da Rio+20.

A soberania alimentar, como uma questão entre campo e cidade, também será analisada pelos participantes. “Toda a relação com consumidores, com a produção, e a discussão entre produção e consumo, agricultura urbana, agroecologia”, destacou Fátima Mello, que é também diretora da organização não governamental (ONG) Fase-Solidariedade e Educação.

Na quarta plenária, os movimentos sociais que preparam a Cúpula dos Povos vão debater a energia e as indústrias extrativas. “Energia para quê e para quem, e mineração, vamos fazer críticas à matriz energética existente hoje no mundo. Vamos propor alternativas”.

O último tema agregador é o trabalho. Fátima Mello assegurou que a criação de uma nova economia tem que partir da centralidade do trabalho. “É exatamente o contrário do que é feito hoje. O enfrentamento da crise na Europa está sendo feito à custa dos direitos do trabalho”. As ONGs e movimentos sociais querem mostrar que o caminho para outra economia e um novo paradigma da sociedade “passa por trabalho decente e pela preservação do mundo do trabalho”, acrescentou.

As plenárias vão preparar a Assembleia dos Povos, baseada em três eixos: causas estruturais das crises e falsas soluções; soluções e propostas dos movimentos; e agenda de mobilizações e lutas pós-Rio+20.

Fátima Mello informou que ao contrário do que tem sido veiculado, o Comitê Facilitador ainda busca áreas no entorno do Aterro do Flamengo para a instalação de acampamentos que abrigarão os cerca de 10 mil integrantes de movimentos sociais do Brasil e do exterior que participarão da Cúpula dos Povos.

Ela explicou que os lugares oferecidos pela prefeitura do Rio, entre eles duas escolas municipais, um galpão no Cais do Porto e o Sambódromo, não são suficientes para alojar todos os ativistas. “Ainda não chegamos nem perto. A gente está correndo atrás de outras soluções e lugares para conseguir acomodar os participantes. O desenho ainda não está totalmente fechado”.

Por: Alana Gandra
Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Graça Adjuto

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