Suez admite alterar prazo de Jirau

O presidente da GDF Suez no Brasil, Maurício Bähr, admitiu ontem que os conflitos ocorridos no canteiro de obras de Jirau, em Rondônia, podem afetar o cronograma da hidrelétrica, de 3.750 MW de potência. A usina, que estava prevista para iniciar os testes de operação no segundo semestre, deve começar a produzir energia apenas em janeiro de 2013. Cerca de 70% das obras estão concluídas.

“A antecipação do cronograma está afetada por conta dessas confusões”, disse o executivo. “Está cedo ainda para avaliar. Vamos tentar encontrar meios de antecipar e fazer as atividades de uma maneira mais eficiente. Vai depender de quando vamos retomar a obra, esperamos que seja ainda esta semana”, complementou Bähr. Quando as atividades forem retomadas, será feito um novo planejamento do projeto com base na situação atual.

A GDF Suez é a acionista majoritária do consórcio Energia Sustentável do Brasil, proprietário do empreendimento, com 50,01% de participação. Os demais sócios são Eletrosul (20%), Chesf (20%) e Camargo Corrêa (9,9%). O investimento na obra é de R$ 15,1 bilhões.

A mudança no cronograma de Jirau também pode afetar o fluxo de caixa do projeto. A estratégia do consórcio é antecipar ao máximo o início de operação para obter receita extra com a venda de energia no mercado livre antes do início do período contratual da usina, em janeiro de 2013. “Teremos uma receita frustrada”, conta Bähr.

Apesar da preocupação com o os acontecimentos, o executivo ressaltou que o conflito envolve trabalhadores contratados pela Camargo Corrêa, responsável pelas obras. Na segunda-feira, os empregados aprovaram o fim da greve, durante assembleia. Na madrugada do dia seguinte, porém, um novo conflito provocou o incêndio e a quebra de 36 prédios do alojamento no local. As instalações físicas da usina, no entanto, não foram afetadas.

A paralisação das atividades em Jirau chega a quase trinta dias. “A maioria esmagadora dos trabalhadores quer voltar a trabalhar”, afirmou Bähr. Atualmente, 16 mil pessoas trabalham na construção da hidrelétrica. De acordo com a empresa, o empreendimento gerou 25 mil empregos diretos no pico das obras, utilizando principalmente mão de obra local.

Por: Rodrigo Polito
Fonte: Valor Econômico 

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