Caminho das águas tem potencial pouco aproveitado

Quatro grande rios com potencial para a movimentação de carga cruzam a região de influência da soja mato-grossense, no sentido Sul-Norte: Madeira, Teles Pires-Tapajós, Araguaia e Tocantins. Em 2011 todos os grãos escoados pela Amazônia chegaram a um terminal exportador pelo rio Madeira. As vantagens da integração água-água levaram empresas privadas, como o grupo André Maggi e a americana Cargill, a explorar terminais de grãos em Itacoatiara e Santarém, respectivamente.

O potencial das outras duas hidrovias é ainda maior. Hoje o setor de grãos faz planos contando primeiro com a adequação das rodovias longitudinais, como a Belém-Brasília (BR-153) e a Cuiabá-Santarém (BR-163). O Movimento Pró-Logística, presidido pela Aprosoja, prevê que até 2014 cerca de 150 mil carretas trafeguem pela BR-163, só em Mato Grosso. A longo prazo, as hidrovias podem substituir o transporte dessas vias, e a integração por terra passaria a ser no sentido Leste-Oeste.

“É uma dádiva divina ter rios cortando a produção de grãos do Estado. Só (rio) Mississipi (EUA) e seus afluentes transportam mais de 600 milhões de toneladas/ano. O Brasil desperdiça essa vocação”, afirma Carlos Fávaro, presidente da Aprosoja.

As estradas Norte-Sul atendem a regiões produtoras específicas e vão direcionar os grãos para os portos mais próximos. A safra do vale do Araguaia chega aos portos de Itaqui, Outeiro e Vila do Conde pela BR-158. Santarém pode receber grãos produzidos na região de influência da BR-163; e Itacoatiara, a carga do Oeste movimentada pelo Madeira. As hidrovias permitiriam ao produtor escolher o terminal mais adequado.

Um exemplo é interesse despertado pelo Porto de Itaituba. O rio Tapajós é navegável num trecho de 345 quilômetros entre São Luís do Tapajós e Santarém. A hidrovia do Teles Pires-Tapajós tem mais de 1500 quilômetros de extensão e potencial para ser o principal corredor logístico de grãos no Centro-Oeste. A área de abrangência da hidrovia tem a previsão de dobrar a produção de grãos nos próximos 20 anos, passando dos atuais 18 milhões de toneladas para 36 milhões, aproveitando as pastagens degradadas, segundo a Aprosoja.

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