Integração com rios é saída para região Norte

Porto de Santarém (PA), que integra o Arco Norte, pode ser um escoadouro de grãos para o mercado externo

Os portos que compõem o Arco Norte – de Porto Velho, no rio Madeira, a Itaqui, no litoral do Maranhão – desenham uma parábola que tem ao centro a região que mais produz grãos no Brasil. Só o Mato Grosso colhe um terço da soja nacional e a região Centro-Oeste responde por quase todo o excedente do grão exportado pelo país. O arco imaginário aponta para os principais mercados dos grãos brasileiros, que estão bem mais próximos da Amazônia do que dos atuais escoadouros nos portos de Santos e Paranaguá, a cerca de 2 mil quilômetros por terra.

Apenas a produção da região Oeste do Mato Grosso é escoada por portos do Arco Norte. A soja vai de caminhão até Porto Velho e embarca em barcaças que sobem o rio Madeira para ser exportada em navios maiores pelos portos de Itacoatiara (AM) e Santarém (PA). Itaqui no Maranhão também embarca por ano cerca de 2 milhões de toneladas de soja, mas atende principalmente as regiões produtoras do Pará, Maranhão e Piauí. Em 2011, 3,2 milhões de toneladas de soja mato-grossense foram embarcadas na Amazônia, uma quantidade pequena diante da produção.

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) estima que nos próximos anos a produção de soja e milho do Estado alcance um volume entre 40 a 50 milhões de toneladas/ano. “Esses portos são a verdadeira vocação para o Centro-Oeste”, diz Carlos Fávaro, presidente da entidade, referência aos terminais de Itacoatiara (AM), Santarém, Itaituba, Santana, Outeiro, Vila do Conde (todos no Pará) e Itaqui (MA).

A Aprosoja calcula que exportar pela Amazônia pode baratear o frete de US$ 30 a US$ 60 por tonelada. Para chegar a Santos, cada tonelada de soja paga hoje cerca de R$ 250, percorre mais de 2 mil quilômetros em trens e caminhões e enfrenta filas que podem durar semanas. Mas a maioria dos terminais amazônicos ainda está a ver navios. A integração das fazendas com os portos emperra em demandas antigas: pavimentação, manutenção e redimensionamento das rodovias para o tráfego de veículos pesados; a conexão das estradas com a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste e a abertura das hidrovias de Teles Pires-Tapajós e Araguaia-Tocantins.

Governos e iniciativa privada tocam investimentos grandes, mas tímidos diante do potencial do setor. “A esperança é que ao estabelecer uma nova possibilidade, com vantagens para o produtor, isso se torne um mecanismo de pressão para que esses investimentos saiam do papel”, diz Carlos José Ponciano da Silva, presidente da Companhia Docas do Pará (CDP).

No meio do Arco Norte, o Porto de Santarém tem a possibilidade de atender a várias áreas produtoras, inicialmente por meio da BR-163 e pelas barcaças que vêm de Porto Velho. O porto conta com um terminal da Cargill Agrícola, que movimenta cerca de 1 milhão de toneladas/ano. Um novo terminal de granéis sólidos de origem vegetal será construído. A obra já está aprovada pela Antaq e o todo o projeto tem o custo previsto em R$ 170 milhões, alocados no PAC.

O Porto de Itaituba, às margens do rio Tapajós, tem hoje 12 empresas interessadas em instalar terminais para carregar barcaças com grãos do Mato Grosso. A CDP trabalha com um grande projeto para o Porto de Outeiro, na região de Belém. A capacidade prevista é de 18 milhões de toneladas/ano, superando Santos e Paranaguá. O Porto de Itaqui (MA) terá a capacidade ampliada para 5 milhões de toneladas/ano a partir do fim de 2013, segundo a Emap (Empresa Maranhense de Administração Portuária).

Por: Timóteo Camargo
Fonte: Valor Econômico

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