RR: protesto em julgamento pede punição a acusados de matar índio

Cerca de 100 representantes de comunidades indígenas fizeram uma manifestação em frente ao Fórum da Justiça Federal, em Boa Vista (RR), onde acontece o julgamento dos acusados de matar a tiros líder indígena

Mais de 100 representantes de comunidades indígenas da Raposa Serra do Sol, em Roraima, acamparam nesta quinta-feira em frente ao Fórum da Justiça Federal na capital Boa Vista e fizeram manifestação pedindo punição aos acusados de matar a tiros o líder indígena Aldo da Silva Mota, em janeiro de 2003. Três réus estão sendo julgados pelo assassinato.

Os indígenas levaram cartazes e faixas e fizeram danças e cantos durante o julgamento, que já foi adiado seis vezes. Segundo a Justiça Federal, as sessões foram remarcadas em razão da renúncia de advogados da defesa, por pedido da Defensoria Pública da União e da Fundação Nacional do Índio e por questões administrativas.

São réus o antigo ocupante da Fazenda Retiro, o ex-vereador Francisco das Chagas Oliveira da Silva, conhecido como Chico Tripa, acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de ser o mandante do crime, além de Elisel Samuel Martin e Robson Belo Gomes, acusados de serem os executores do assassinato.

A sessão foi encerrada às 21h do horário local (22h de Brasília) e será retomada amanhã, às 9h (10h de Brasília). Por volta das 19h, haviam sido ouvidas cinco testemunhas dentre as 18 que foram indicadas pela defesa e pela acusação.

A previsão é que o julgamento seja encerrado nesta sexta-feira. O conselho de sentença é formado por cinco homens e duas mulheres e a sessão está sendo presidida pelo juiz federal Helder Girão Barreto.

Segundo os índios ligados ao Conselho Indígena de Roraima (CIR), todos esperam por um julgamento justo, que puna os culpados. Abel Lucena da Silva, um dos líderes da raposa Serra do Sol, afirmou que as comunidades esperam que o caso sirva de exemplo e que muitos outros julgamentos aconteçam punindo quem ataca os indígenas. “Queremos justiça”, disse.

Conforme documento divulgado ontem pelo CIR, 21 lideranças indígenas foram assassinadas durante a luta pela terra. Também foram registradas 54 ameaças de morte, 51 tentativas de homicídios, 80 casas destruídas, 71 prisões ilegais, cinco roças queimadas e cinco cárceres privados somente na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

Por: Cyneida Correia
Fonte: Portal Terra 

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