Cinco cidades-sedes da Copa têm risco de superoferta

Belo Horizonte e Cuiabá estão entre as cinco cidades-sedes de jogos da Copa do Mundo de 2014 que oferecem alto risco de superoferta de quartos de hotéis em 2015, após a realização do evento. São Paulo e Rio de Janeiro, por sua vez, apresentam boas perspectivas de ocupação para novos empreendimentos, mesmo após o fim da competição.

A conclusão é de um estudo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), em parceria com a consultoria HotelInvest. O levantamento está na sua quarta edição e será divulgado hoje, com uma projeção das taxas de ocupação do parque hoteleiro das 12 cidades-sedes da Copa um ano após a sua realização.

A análise funciona como um termômetro para investimentos em hotéis nas capitais que sediarão os jogos. Ela mostra as cidades que deveriam ser evitadas, pelo risco de baixa ocupação após a competição. Na outra ponta, aponta os locais com demanda que justifica novos empreendimentos.

O sócio-diretor da HotelInvest, Cristiano Vasques, diz que a comparação com as outras edições do estudo mostra que a visão dos investidores está mais madura. “Com a queda da Selic, há uma procura maior por produtos financeiros com retorno maior e de longo prazo. Os investidores estão percebendo que o hotel é tão rentável como projetos residenciais e comerciais”, afirma.

A diretora-executiva do FOHB, Ana Maria Biselli Aidar, também faz um balanço positivo do levantamento. “O cenário, de uma forma geral, é mais positivo do que negativo. Os mercados estão com boa recuperação de demanda, mas eles estão atrelados à atividade econômica. Se o crescimento econômico se alterar nos próximos anos, vamos ter uma alteração desse cenário”, diz.

No total, o estudo mostra um crescimento de 5,4% na oferta de novos quartos até 2015, em comparação com o levantamento anterior, de outubro de 2011. São 21.143 apartamentos no período.

De acordo com Ana Maria, Belo Horizonte, a cidade com o maior risco de superoferta, por exemplo, tem atualmente 6.281 quartos. Até 2015, estão previstos para a capital mineira mais 5.778 apartamentos. “A situação de Belo Horizonte é cada vez mais preocupante”, afirma a diretora do FOHB.

Cuiabá também corre o risco de ter mais hotéis do que a demanda comporta. Atualmente, a cidade conta com 1.070 quartos, sendo que deve receber mais 1.707 apartamentos nos próximos três anos.

“Desde o último estudo, foram aumentando os projetos de novos hotéis. Além disso, contribui o cenário econômico, pois a expectativa de crescimento da demanda para 2012 é menor do que esperávamos”, diz Vasques, sobre a piora do cenário de Belo Horizonte e Cuiabá. Segundo ele, essa revisão tem como base a expectativa de crescimento menor do PIB entre 2012 e 2015, de iniciais 24% para 18%. Também são projetadas taxas de ocupação consideradas de risco em 2015 para Brasília, Manaus e Salvador.

São Paulo e Rio, com taxas elevadas de ocupação, permanecem como boas alternativas de investimento em novos hotéis. As duas cidades deverão manter os altos indicadores mesmo com a previsão de novos quartos, segundo Vasques e Ana Maria.

Em São Paulo, que tem hoje 37,7 mil quartos, a projeção é de mais 1 mil apartamentos até 2015. No Rio, com cerca de 20 mil quartos, a previsão é de 4,5 mil novos apartamentos nos próximos três anos.

Por Alberto Komatsu
Fonte: Valor Econômico

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