Consórcio de Belo Monte vai construir 5,2 mil casas

Consórcio comprou três áreas no município de Altamira, no Pará, que somam entre 220 e 250 hectares, e somente nas obras civis serão investidos R$ 500 milhões

O consórcio Norte Energia, responsável pela hidrelétrica de Belo Monte, em construção no rio Xingu (PA), está prestes a fazer o seu maior desembolso financeiro para cumprir aquela que é uma das principais condicionantes socioambientais da usina: o reassentamento das milhares de famílias que serão impactadas pelo empreendimento.

Até o fim do mês que vem, apurou o Valor, será licitado um pacote de obras para contratação das empreiteiras que irão erguer mais de 5,2 mil casas novas no município de Altamira, cidade da região que será a mais impactada pela hidrelétrica. As casas serão erguidas em três áreas já negociadas pelo consórcio, as quais somam entre 220 e 250 hectares. A previsão é de que, só nas obras civis das residências, sejam investidos cerca de R$ 500 milhões. Essa fatura, no entanto, deverá ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão, porque incluirá o custo de aquisição dos terrenos, além dos aportes para a infraestrutura de saneamento básico.

As informações foram confirmadas pelo superintendente fundiário da Norte Energia, Ronaldo Crusco. Em entrevista ao Valor, Crusco disse que o consórcio está prestes a concluir o recadastramento das famílias que sofrerão impacto da obra e que, por isso, terão de ser reassentadas. Ele confirmou o acerto firmado pelo consórcio para adquirir as três áreas escolhidas em Altamira, mas não revelou quanto a empresa pagará por isso. Os estudos topográficos e de viabilidade técnico-econômica dessas áreas já foram aprovados.

Haverá residências de 60, 69 e 78 m2, com dois ou três dormitórios, e cada casa terá um terreno de 300 m2

Ao todo, o cadastro socioeconômico realizado pela Norte Energia aponta que 7.637 famílias deverão ser reassentadas, o que significa mudar o endereço de aproximadamente 20 mil pessoas. Dessas famílias, 541 têm origem indígena, mas vivem na região de Altamira, e não em aldeias isoladas. O levantamento ao qual o Valor teve acesso revela que 54% das casas que terão de ser desocupadas têm até 60 metros quadrados de área de construída. Outros 23% tem entre 60 metros e 100 metros e os demais 27% tem área superior a 100 metros. Metade das casas foi feita de madeira; 33% são de alvenaria e restante utiliza outros materiais.

A nova cidade que o consórcio pretende construir em Altamira, diz Ronaldo Crusco, vai oferecer três tipos de casas. Haverá residências com 60, 69 e 78 metros quadrados, com dois ou três dormitórios. Cada casa terá um terreno de 300 metros quadrados, independentemente de sua área construída. “Pretendemos fazer a ocupação por fases, liberando as casas para a população conforme forem entregues. A nossa previsão é de que, até dezembro 2014, todas as casas já estejam ocupadas”, comenta Crusco.

O trabalho de reassentamento de Belo Monte também envolve a zona rural, mais precisamente as pequenas vilas que serão diretamente impactadas pela construção da barragem e das duas casas de força da hidrelétrica. O balanço fundiário da Norte Energia aponta que 1.492 imóveis espalhados entre os municípios de Altamira, Vitória do Xingu e Brasil Novo serão atingidos pelo empreendimento. O consórcio já concluiu a negociação de 680 propriedades e outros 70 processos de desapropriação já foram parar na Justiça. Há, portanto, cerca de 740 imóveis que ainda devem ser liberados.

As obras de Belo Monte foram iniciadas em junho do ano passado, quando o Ibama concedeu a licença de instalação da usina. O reassentamento das milhares de famílias – principalmente aquelas que vivem em situações extremamente precárias sobre as palafitas banhadas pelo Xingu – sempre foi prioridade do projeto. Pelo plano original, a previsão era de que o consórcio Norte Energia iniciasse a construção das de casas ainda no ano passado, mas o processo atrasou.

O início das obras levou uma enxurrada de pessoas para a região e inflacionou os preços das cidades atingidas pela usina. Por conta disso, o consórcio enfrentou dificuldades para encontrar áreas com dimensão suficiente para erguer um grande número de casas, além de ter de realizar uma série de negociações. Até chegar às três áreas escolhidas em Altamira, foram analisadas onze propriedades. Agora, a expectativa é iniciar a construção neste segundo semestre.

Maior obra de infraestrutura do país, a usina de Belo Monte afeta onze municípios do Pará. Com uma população total de aproximadamente 350 mil pessoas, essa região deverá atrair ainda cerca de 100 mil novos habitantes, dos quais 20 mil serão funcionários diretos da hidrelétrica. Hoje já existem quase 12 mil trabalhadores nos canteiros de obra.

A Norte Energia sustenta que tem 117 projetos socioeconômicos e ambientais em andamento na região e que já assinou convênios que somam R$ 233,9 milhões em obras e ações sociais. Paralelamente, a mitigação dos impactos negativos causados pela usina conta com os aportes do chamado Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável (PDRS) do Xingu, pelo qual o governo prevê um investimento de mais R$ 2,5 bilhões na região durante a construção da usina, que tem previsão de ser concluída até 2019.

Por: André Borges
Fonte: Valor Econômico

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2 comentários em “Consórcio de Belo Monte vai construir 5,2 mil casas

  • 23 de agosto de 2014 em 17:02
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    cidade que mais cresse na regiao norte

  • 27 de junho de 2012 em 11:05
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    kkkkkkkkk Só assim os alugues em altamira, volta a não ser, um dos mas caros do mundo. E eu ñ moro de aluguel viu!!!!!!

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