Empresas cortam vínculo com JBS

Relatório do Greenpeace mostra como o maior frigorífico do mundo é incapaz de provar que seu produto é livre de desmatamento

Três anos depois de assumir compromisso público, a JBS ainda não tem como garantir que seu gado é livre do desmatamento da Amazônia. (© Greenpeace/Rodrigo Baleia)

Três anos depois de assinar um compromisso público prometendo tirar novos desmatamentos da Amazônia de sua cadeia de produção, a maior empresa de carne do mundo, a brasileira JBS, não dá provas de cumprir com sua palavra. Da mesma forma, também não garante que seus fornecedores na região não usam trabalho escravo e não invadiram Terras Indígenas e unidades de conservação.

Oito grandes clientes da JBS na Europa, como Adidas, Tesco, Clarks, Ikea, Princess, Sainsbury’s, Asda e a gigante de alimentos Sligro Food Group, já informaram à empresa que cancelaram ou não vão mais renovar seus contratos. As empresas afirmam que são contra o desmatamento da Amazônia e que só querem fazer parte de uma cadeia da qual tenham certeza que está livre da destruição da floresta.

As multinacionais alegam que só voltarão a negociar com a JBS depois que ela honrar o compromisso de forma transparente e passível de ser monitorada. “Estamos aguardando as novas diretrizes da JBS para atingir a meta do desmatamento zero. Até que isso aconteça, nós suspendemos a negociação de novos contratos”, afirmou a Princess em nota.

Além de ser a maior empresa de carnes do mundo, a JBS é o maior frigorífico em operação na região da Amazônia Legal, com 30 unidades de abate. Mesmo assim, suas operações continuam às escuras. A ausência de transparência da JBS fica clara em um relatório divulgado hoje pelo Greenpeace, fruto do acompanhamento do trabalho da empresa por 18 meses.

O relatório “JBS – Reprovada: Como a maior empresa de carnes do planeta continua massacrando a Amazônia” mostra como fazendas irregulares na Amazônia fornecem seu gado aos matadouros da JBS, que, por sua vez, vende a carne do abate a empresas de processamento. Dessa forma, produtos derivados de carne de procedência duvidosa chegam às prateleiras dos supermercados em todo o mundo.

Em 2009, a JBS e outros grandes frigoríficos brasileiros assinaram um compromisso público para não mais negociarem com fazendas com trabalho escravo, dentro de Terras Indígenas e unidades de conservação e com desmatamentos feitos a partir daquele ano. Mas a JBS continua comprando direta ou indiretamente de fazendas irregulares.

“O mercado hoje não aceita relações com qualquer crime socioambiental. Já passou da hora de o maior frigorífico do mundo limpar sua lista de fornecedores para garantir que seus consumidores não participem da destruição da Amazônia”, afirma André Muggiati, coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace.

Governo cúmplice no desmatamento

Enquanto o setor empresarial adequa suas práticas para não associar suas marcas ao desmatamento da Amazônia, o governo brasileiro, ao contrário, financia ações que retiram a proteção das florestas.

Por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o governo brasileiro ainda investiu na JBS e ajudou a torná-la a maior fornecedora de carne e couro no mundo. Depois de uma injeção de R$ 3,24 bilhões em junho do ano passado, o BNDES agora controla 31,4% da empresa, investimento que torna o governo brasileiro sócio da JBS no desmatamento.

“Além de permitir o massacre do Código Florestal, o governo é ele próprio sócio do desmatamento e de violações de direitos humanos na Amazônia”, disse Muggiati. “Quando o retrocesso é fruto do descaso de quem deveria zelar pela lei, só resta à sociedade civil assumir o papel de proteger o meio ambiente, com iniciativas como o Desmatamento Zero.”

Em março, o Greenpeace e outras organizações lançaram uma campanha por um projeto de lei de iniciativa popular, nos moldes do Ficha Limpa, para zerar o desmatamento no Brasil. Com 1,4 milhão de assinaturas, será possível encaminhar ao Congresso Nacional a proposta do Desmatamento Zero. A campanha já soma mais de 310 mil assinaturas. Para participar, clique aqui.

Fonte: Greenpeace Brasil

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