Líderes mundiais têm de adotar medidas urgentes para conter efeitos das mudanças climáticas, recomenda o Task Force

Ciência e tecnologia são fundamentais para a resolução das mudanças climáticas no mundo, avaliou ontem (18), no Rio, o reitor emérito da Universidade da Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), Martin Lees, ao divulgar a primeira declaração sobre Ação para Enfrentar Questões Urgentes de Mudança Climática.

O documento levou dois anos para ser produzido pela Força-Tarefa Mudança do Clima (CCTF), em inglês chamado de Task Force. O grupo foi constituído no início do século 21, por iniciativa do ex-presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, preocupado com os efeitos das mudanças do clima no mundo. Gorbachev reuniu nesse grupo economistas, pesquisadores e cientistas para ampliar a abrangência do trabalho que, a seu ver, não se limita à área questões ambientais. Hoje, ele deseja também o engajamento das populações em torno do problema.

O ex-líder soviético manifestou, em mensagem gravada em vídeo, sua preocupação no sentido de que o documento final da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, não dê a atenção devida para a questão do meio ambiente e das mudanças climáticas. “Sem considerar as mudanças climáticas, todos os acordos que forem feitos não serão realizados, porque vão se tornar sem sustentabilidade”. Ele disse ainda que a crise econômica mundial pode trazer consequências muito perigosas. Gorbachev espera que a Rio+20 traga de volta o multilateralismo, com ênfase na sustentabilidade. “Espero que os líderes de governos que participam da Rio+20 prestem muito atenção para isso”, ressaltou.

A declaração incita as lideranças e governos mundiais a adotarem medidas sérias e se comprometerem politicamente para reduzir as ameaças das mudanças climáticas, cujos efeitos já começam a ser sentidos, em especial, pelas comunidades mais pobres do planeta. Para os membros do Task Force, o uso sem controle dos recursos naturais e a prioridade dada aos combustíveis fósseis são causas do aquecimento global.

O documento lista algumas ações emergenciais para diminuir os efeitos das mudanças climáticas. Entre elas, destaque para a implementação de cortes urgentes e profundos nas emissões de gases de efeito estufa. Todos os países envolvidos deverão se comprometer a diminuir em 20% as emissões de gás carbônico, “se quisermos impedir a elevação da temperatura além de 2 graus Celsius (ºC) ”, ressaltou Martins Lees, um dos principais autores da declaração.

Preservar o capital natural do planeta e restaurar os ecossistemas; reorientar as economias para um caminho sustentável, por meio da mudança do modelo de produção e consumo; e mobilizar fontes financeiras públicas e privadas são outras medidas que devem ser tomadas com urgência pelos governos. Lees observou que a China já percebeu essa necessidade e está adotando ações inteligentes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

“A mudança climática é real. E se continuarmos como estamos, vamos aumentar a temperatura da Terra em 6 ºC até o fim do século”, estimou. Ele indicou que as ações são viáveis para resolver o problema, a partir do uso da ciência e da tecnologia, trazendo benefícios para toda a sociedade. Martin Lees criticou alguns cientistas que estão subestimando o problema e lembrou que as responsabilidades são comuns. Destacou que mesmo uma elevação de 2 ºC na temperatura terá “enormes e irreversíveis impactos”.

O diretor adjunto da União Internacional das Telecomunicações (UIT), mais antiga agência da ONU, Fabio Leite, destacou a importância das ferramentas de tecnologia da informação e comunicação (TIC) para a diminuição dos efeitos das mudanças climáticas. “Se estamos buscando a transição para uma economia de baixo carbono, é fundamental utilizar tecnologia da informação e comunicação, sobretudo na área de rádio comunicação sem fio”. As chamadas tecnologias limpas reduzem a emissão de gases poluentes, sustentou.

Nesse sentido, Leite anunciou que a UIT está trabalhando para lançar, em breve, uma bateria que seja universal e possa ser usada em todo o mundo em qualquer celular, computador e tablet (computador de prancheta). No rastreamento das mudanças climáticas, a tecnologia da informação e comunicação é também fundamental, para prevenir e combater desastres naturais, como tsunamis, incêndios em florestas, por exemplo. Ele espera que essas tecnologias sejam adotadas na Rio+20 para levar a humanidade ao progresso e à erradicação da pobreza, ao mesmo tempo que diminuam os efeitos das mudanças climáticas.

Por: Alana Gandra
Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Aécio Amado

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