País deveria liderar a construção de novos modelos

O grande desafio do governo e do segmento empresarial no Brasil, na visão de estudiosos e organizações internacionais que trabalham para que o desenvolvimento caminhe lado a lado com a proteção das reservas naturais, é liderar movimentos que estimulem o crescimento sustentável dentro do país, sem deixar de adotar medidas mais enfáticas para proteger a Amazônia. Conhecido no setor acadêmico internacional por pesquisas em tecnologias e políticas relacionadas a combustíveis fósseis e restrições climáticas, o professor de engenharia mecânica e aeroespacial da Universidade Princeton Robert Socolow afirma que o Brasil é um dos países com mais chance de construir novos modelos de desenvolvimento sustentável. Mas, para isso, é necessário que o país adote políticas mais robustas e uma agenda que coloque em prática ações sustentáveis na cadeia produtiva.

“Acho que o Brasil realmente será um dos países que vai determinar os modelos de sustentabilidade no futuro. Mas seu grande desafio começa na proteção da Amazônia. Muitos países querem tirar proveito da Floresta, mas só o Brasil tem a chance efetiva de protegê-la, esta é sua responsabilidade”, diz Socolow.

As discussões em torno dos caminhos que levam ao desenvolvimento sustentável em todo o mundo são congruentes ao concluir que faltam lideranças por parte de governos e empresas para delinear estratégias globais e adotar políticas de incentivos. Caio Koch, membro do grupo de finança do clima na ONU, diz que os debates no âmbito da organização apontam ser necessário definir lideranças no processo de desenvolvimento sustentável, mas a “ONU não é capaz de, sozinha, tornar isso uma realidade”. Koch defende a mudança de atitudes por parte de empresas e governos para as sociedades receberem incentivos a práticas sustentáveis em larga escala.

Com uma visão mais cética, Koch acha que, ao invés de ficar discutindo em torno de um documento, seria mais produtivo se existisse um grupo representando diversos setores empresariais com metas ambiciosas de transformação disposto a financiar projetos pilotos.

“O Brasil precisa arriscar mais e entender que tem potencial para assumir lideranças mundiais nas questões ambientais”, afirma a economista Ana Toni, que preside o conselho do Greenpeace Internacional. A exemplo do caminho percorrido na esfera social, o Brasil precisa avançar nas questões ambientais e não perder a oportunidade de assumir uma liderança internacional, porque o potencial existe.

Na visão do Greenpeace, o Brasil tem todas as condições para assumir as rédeas da discussão internacional sobre meio ambiente e sustentabilidade, mas precisa reconhecer que agenda social e ambiental não são assuntos distintos.

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