Disputa ainda não engrenou em Belém

Férias escolares deixaram a capital do Pará vazia em julho e expectativa é de que neste mês a briga comece a esquentar. Ex-prefeito petista concorrerá pelo Psol e desponta como favoritoNotíciaGráfico

Principal capital da Região Norte, com uma economia mais robusta que Manaus — ainda muito dependente da Zona Franca —, Belém sofre com uma violência crescente, prostituição infantil em pleno centro da cidade e hospitais públicos sucateados há anos. Apesar dos graves problemas, a disputa pela prefeitura ainda não engrenou na capital paraense. Boa parte dos eleitores aproveitou as férias de julho e viajou para o litoral, deixando a cidade vazia para ver os poucos carros de som que circulam pelas ruas e acompanhar as promessas dos candidatos.

Por enquanto, a liderança nas pesquisas de intenção de voto é ocupada pelo ex-petista Edmilson Rodrigues (PSol), ex-prefeito da capital paraense por dois mandatos. Edmilson tem, dependendo das pesquisas realizadas, entre 37% e 38% de intenções de voto. Segundo os adversários, um resultado inflado, pois acreditam que o ex-prefeito estará no segundo turno com aproximadamente 30% da preferência do eleitorado.

Em segundo lugar, praticamente empatados, aparecem os deputados federais José Priante (PMDB) e Zenaldo Coutinho (PSDB). Priante é parente do senador Jader Barbalho (PMDB), que recentemente conquistou uma vaga no parlamento com base em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Jader foi eleito senador em 2010, mas teve a posse sub judice até o fim do ano passado, por causa da Lei da Ficha Limpa.

Em 2001, quando era presidente do Senado, Jader foi acusado de desvio de recursos públicos da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Renunciou à presidência da Casa e, posteriormente, ao mandato para não ser cassado. Jader conseguiu retornar ao Senado e, embora a atuação em Brasília tenha sido discreta, o parlamentar consegue capitalizar muitos votos em Belém.

José Priante aparece com 18% das intenções de voto — ele já havia concorrido em 2008, contra o atual prefeito, Duciomar Costa (PTB), que não disputará a reeleição por estar no segundo mandato. O peemedebista está tecnicamente empatado com o candidato do PSDB, o deputado federal Zenaldo Coutinho. Além de ser um parlamentar bem avaliado entre os eleitores, Zenaldo tem como principal cabo eleitoral o governador do Estado, Simão Jatene, que tem altos índices de aprovação na capital paraense.

O PT, que governou o estado entre 2006 e 2010, amarga a péssima administração feita por Ana Júlia. O candidato dela foi derrotado nas prévias internas do PT. Outra liderança do partido no estado, o ex-deputado Paulo Rocha está mais preocupado com o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, que começa na quinta-feira — ele é um dos 38 réus. Restou ao partido lançar o nome pouco expressivo de Alfredo Costa, que patina nas pesquisas.

PT e PSB divorciados

A disputa pela prefeitura de João Pessoa é mais um capítulo das divergências entre PT e PSB. Aliados no plano estadual — a Paraíba é governada pelo pessebista Ricardo Coutinho —, as duas legendas romperam a aliança municipal e lançaram candidatos próprios para a disputa de outubro. O PSB apresentou o nome da ex-secretária de Planejamento Estelisabel Bezerra, e o PT apoiará o deputado estadual Luciano Cartaxo.

As razões para o rompimento em João Pessoa têm características locais. O atual prefeito, Luciano Agra, começou a emitir sinais de que não disputaria a reeleição. Era uma tentativa de descolar-se do governador Ricardo Coutinho, mal avaliado na capital paraibana. Ele queria passar uma imagem de independência, mas, quando mudou de ideia, o PSB já havia escolhido o nome de Estelisabel. Nas prévias, a ex-secretária saiu vitoriosa.

O PT aproveitou a divisão interna do PSB para escolher Luciano Cartaxo. Quando a direção nacional do PSB cobrou apoio, os petistas levantaram o mesmo argumento que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional da sigla, usou para justificar o rompimento no Recife: os socialistas não se entendiam internamente e, por isso, não teriam condições de comandar uma aliança política vitoriosa.

Além desses dois nomes, ainda aparecem com chances na disputa o senador Cícero Lucena (PSDB) e o ex-governador José Maranhão (PMDB). O problema dos dois candidatos é que eles têm um índice de conhecimento bastante elevado — 92% e 100%, respectivamente — mas rejeições também consideráveis: 22% em ambos os casos. O petista Luciano Cartaxo tem nível de conhecimento de 58% e uma rejeição um pouco menor: 17%. Dos quatro nomes principais, Estelisabel é o menos conhecido, com apenas 10%, e uma rejeição praticamente irrisória: 2%. “Mas Estelisabel tem chances reais de crescimento. É combativa e tem forte ligação com os movimentos sociais, como os ligados às mulheres e aos negros”, disse ao Correio o secretário da Associação de Moradores de Cuiá — assentamento regularizado pelo governo —, José Moreira da Silva.

Qualquer que seja o vencedor em outubro, o principal desafio será o transporte público. João Pessoa, uma das menores capitais do Nordeste, sofre com um trânsito caótico, principalmente nos horários de pico, péssima qualidade no transporte público e um crescimento exponencial dos índices de violência na capital. (PTL)

Estelisabel tem chances reais de crescimento. É combativa e tem forte ligação com os movimentos sociais”

José Moreira da Silva, secretário da Associação de Moradores de Cuiá (PB), José Moreira da Silva

Por: Paulo de Tarso Lira
Fonte: Correio Braziliense 

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