Em carta, índios afetados por Belo Monte explicam por que detiveram engenheiros da Norte Energia

Após reunião com engenheiros da Norte Energia no início desta semana, indígenas das etnias Arara e Juruna decidiram manter os profissionais na aldeia Muratu até que suas reivindicações sejam ouvidas. Em carta, eles explicam suas razões e reforçam que a medida está relacionada ao descumprimento dos acordos firmados com a empresa

Desde terça-feira (24), três engenheiros da Norte Energia estão detidos na aldeia Muratu, na Terra Indígena Paquiçamba, do povo Juruna. A decisão foi tomada após reunião realizada no dia 23, para apresentação do mecanismo de transposição de embarcações na Volta Grande do Xingu – trecho de 100 km do Rio Xingu que terá sua vazão reduzida com o barramento do rio (saiba mais).

O encontro era o primeiro dos quatro marcados nas aldeias afetadas pela hidrelétrica de Belo Monte, mas a falta de entendimento da proposta apresentada fez com os indígenas se sentissem inseguros em relação ao projeto e decidissem manter os engenheiros na aldeia até que seja realizada uma reunião com membros do governo (Ibama, Ministério de Minas e Energia e Presidência da República) e do Conselho de Administração da Norte Energia S.A., e com participação do Ministério Público Federal, para assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com as demandas apresentadas à empresa em reunião do início do mês.

Reunião na aldeia Muratu, na TI Paquiçamba

Na carta-manifesto, divulgada na noite desta quarta-feira (25) pelos indígenas, além do descumprimento das condicionantes por parte do empreendedor, e da não execução do componente indígena do Plano Básico Ambiental (PBA), os índios lembram que só desocuparam a ensecadeira do sítio Pimental (leia mais), devido ao compromisso de que os acordos estabelecidos entre eles e a Norte Energia seria cumpridos.  Eles informam ainda que os técnicos estão sendo bem tratados na aldeia.

Leia a íntegra da carta aqui.

Fonte: ISA – Instituto Socioambiental

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