Estrada resultou de disputas entre Brasil e Bolívia no século XIX

A história da Madeira-Mamoré está ligada aos interesses no comércio exterior. O projeto já existia no século XIX e saiu do papel após o Tratado de Petrópolis, em 1903, quando a Bolívia cedeu ao Brasil a área que hoje corresponde ao Acre em troca de uma ferrovia de 400 km que permitisse transpor corredeiras e escoar sua produção de borracha pelo rio Amazonas até o Atlântico.

O empresário americano Percival Farquhar (1964-1953) assumiu o empreendimento dois anos depois, ao fundar a Madeira Mamoré Railways. Na expectativa dos lucros com as especiarias da Amazônia, a obra foi tocada a ferro e fogo em local inóspito e até então desconhecido.

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Ferrovia pode renascer após 40 anos

Durante a construção, ocorreram 1,8 mil mortes, com estimativa de mais 6 mil em decorrência de doenças após a inauguração, em 1912. Ataques de índios, malária e desavenças internas marcaram a vida dos operários oriundos de várias partes do mundo.

Na época da inauguração, a Bolívia, que terminava de construir uma ferrovia para a ligação com o Pacífico e o Canal do Panamá (concluído em 1914), já não demonstrava tanto interesse pela ferrovia brasileira.

Com a decadência da borracha no mercado já saturado pela produção asiática (a borracha respondeu por um período de geração de riqueza na Amazônia) e a crise econômica global de 1929, o tráfego na Madeira-Mamoré foi desativado pela empresa inglesa que a gerenciava.

O governo brasileiro assumiu a estrada de ferro, mas a desativou definitivamente em 1972, por falta de viabilidade econômica. Além disso, àquela altura a prioridade no Brasil já era o transporte por rodovias. Na década de 1980, após protestos contra o sucateamento daquele patrimônio histórico, o governo estadual reativou para fins turísticos um trecho da ferrovia, que por falta de manutenção acabou sendo desativada por completo duas décadas depois.

Fonte: Valor Econômico

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