Exposição ‘Amazônia, ciclos de modernidade’ em cartaz no CCBB Brasília

Amazônia, ciclos de modernidade
De 13 de agosto a 23 de setembro de 2012
De terça a domingo, das 9h às 21h
Local: CCBB (SCES Trecho 2, conjunto 22 – Brasília/DF)
Entrada franca
Classificação indicativa: livre
O CCBB disponibiliza ônibus gratuito, identificado com a marca do Centro Cultural.  O transporte funciona de terça a domingo, saindo do Teatro Nacional a partir das 11h. 

Uma “viagem” para conhecer o passado, entender o presente e refletir sobre o futuro da região amazônica

Quem for ao Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) a partir do dia 13 de agosto vai ter a oportunidade de conferir a exposição Amazônia, ciclos de modernidade – um panorama histórico, cultural e antropológico da região que, além de ser a maior do país em termos de território, desperta o interesse do mundo todo por suas riquezas naturais e diversidade humana.

Depois de passar pelo Rio de Janeiro, a mostra chega à capital federal para apresentar um percurso visual com 300 obras que retratam a trajetória amazônica desde o século XVIII até os dias atuais, divididas pelos períodos do Iluminismo, do Ciclo da Borracha (1860 – 1910), do Modernismo e da Contemporaneidade.

Com curadoria de Paulo Herkenhoff, a exposição se desenvolve como um fluxo de ideias e de linguagens. O conceito curatorial apresenta em amplo espectro a cultura visual da Amazônia, sua arte e determinadas particularidades antropológicas. São mil metros quadrados ocupados por fotografias, pinturas, aquarelas, desenhos, esculturas, objetos, vídeos e documentos raros.

Natureza, patrimônio ameaçado

No pavilhão de vidro, uma instalação de arte popular criada por artesãos de Parintins mostra uma grande árvore onde se encontram animais da região amazônica (incluindo vários em extinção), arbustos do açaí e do guaraná. Essa alegoria aliada à literatura amazônica (Macunaíma, de Mário de Andrade, Cobra Norato, de Raul Bopp, e Martim Cererê, de Cassiano Ricardo) e a ensinamentos da ecologia servirão de tema para o projeto educativo vinculado à exposição.

O estranhamento que é se aventurar na floresta poderá ser vivenciado pelo visitante na galeria térrea, onde ele será recebido numa sala escurecida com uma cena em que o índio Ymá Nhandehetama discorre serenamente sobre a condição indígena hoje no Brasil. O imaginário amazônico, com seus fantasmas construídos sobre a natureza, está numa pintura de Flávio-Shiró e na escultura de Maria Martins. O vídeo de Rodrigo Braga, artista nascido em Manaus, é uma reiteração do grito primal que, sem escuta, não chega a constituir a diferença e a própria linguagem, situando o visitante num estado de estranhamento.

Nessa mesma galeria, uma pintura de Emmanuel Nassar aponta para as aflições da natureza amazônica; uma imagem de Serra Pelada de Sebastião Salgado fixa o imaginário da cena bíblica monumental da exploração do ouro; uma fotografia de Berna Reale expõe o corpo em estado metafórico da exploração do trabalho e das relações de subalternidade na região.

Aculturação e conflitos regionais

A mostra trata também da catequese e da antropofagia. O sermão do Padre Antonio Vieira para os jesuítas antes de adentrarem a selva está escrito em uma das paredes. Objetos variados como um ostensório, uma gravura do Padre Vieira, um mapa do século XVII, um desenho original de Antonio Landi, a obra “Sermoens“ de Armando Queiroz, a pintura “Em Segredo” de Adriana Varejão e a escultura “Razão e Loucura” de Cildo Meireles compõem o discurso deste núcleo. O visitante assistirá ao filme “Mater Dolorosain memorian. Da criação e sobrevivência das formas“ de Roberto Evangelista, artista de Manaus.

A exposição traz ainda cerca de 100 obras do acervo da Fundação Biblioteca Nacional. Mapas raros, desenhos originais de Alexandre Rodrigues Ferreira e Antonio Landi, além de maquetes do Museu Naval e obras de Adriana Varejão e Marcone Moreira.

Revolta histórica do Pará, a Cabanagem é lembrada pelos vídeos “Mar Dulce Barroco” e “252” de Armando Queiroz, pelas pinturas do Museu de Arte de Belém e da obra “Facas de meu pai” da artista Lise Lobato, do Marajó.

Por meio de várias gerações de fotógrafos a mostra presenta uma rapsódia de habitantes da Amazônia onde tanto se veem uma estética própria, mas também a ideia de uma imobilidade social. Uma visão crítica e sutil através dos olhares de fotógrafos de várias gerações como Felipe Augusto Fidanza (fotógrafo da virada do séc. XIX para XX), Pierre Verger, Marcel Gautherot e contemporâneos como Luiz Braga, Elza Lima e Walda Marques.

Ciência e economia

As questões científicas, industriais, do colonialismo, do neocolonialismo, da escravidão e dos seringais são abordadas no núcleo do Ciclo da Borracha. O público percebe a importância da borracha no desenvolvimento tecnológico do Ocidente – o que significa o desenvolvimento do automóvel e do avião, bem como a crise em torno da borracha no Brasil, que provocou miséria na região mais ao norte da Amazônia.

Em outro ambiente o visitante poderá conferir a transição para uma Amazônia moderna, sob o impacto do evolucionismo e de outras teorias (nova ciência) e também da Antropologia na constituição do saber. O espectador estará diante de uma ciência sobre a Amazônia e feita na Amazônia.

Amazônia hoje

Já na fase seguinte, a modernidade e o modernismo se cruzam e a relação que a região tem com o importante movimento cultural é apresentada por meio das obras de artistas e intelectuais como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Vicente do Rego Monteiro, Giussepe Righini, Teodoro Braga, Raul Bopp, Cassiano Ricardo, entre outros.

Após percorrer os diversos momentos históricos o espectador encerra a visita no núcleo da Contemporaneidade. Destaque para os diversos suportes artísticos, pintura, fotografias e objetos, vídeos de artistas, slide shows e vídeos com depoimentos de escritores e intelectuais, onde se percebe o caleidoscópio complexo das preocupações com a Amazônia no mundo contemporâneo. Neste momento extremo de conclusão, o convite é sempre para pensar.

O título da exposição no banner da fachada do CCBB é uma criação de Emmanuel Nassar, um dos mais importantes artistas brasileiros, nascido em Belém. Éder Oliveira, um jovem artista do Pará que faz da pintura mural sua expressão artística, fará um site specific na fachada do centro cultural.

Amazônia, ciclos de modernidade 

Apresenta o acervo de importantes instituições brasileiras, tais como Fundação Biblioteca Nacional, Museu Paraense Emilio Goeldi, Museu de Arte de Belém, Museu Histórico do Pará, Museu da Universidade Federal do Pará, Casa das 11 janelas, Fundação Elias Mansour do Governo do Acre, Palácios do Governo de São Paulo, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Museu Naval, Museu do Índio, Instituto Moreira Sales, Fundação Roberto Marinho e coleções particulares.  A exposição fica em cartaz no CCBB Brasília entre os dias 13 de agosto e 23 de setembro de 2012.

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