MPF/RR identifica escolas fechadas no município de Bonfim

Denúncias de moradores dão conta de que desde 2010, as crianças estão sem estudar

: Vista da fachada da escola municipal da Vila Horizonte da Serra, município de Bonfim. Escola sem aulas, sem professores.

O Ministério Público Federal em Roraima (MPF/RR) constatou por meio de uma diligência realizada no município de Bonfim, que apesar de existir uma escola construída recentemente no Projeto de Assentamento Taboca, localizado na “Vila Horizonte da Serra” naquele município, faz dois anos que as crianças estão sem estudar pois a escola municipal Hélia Martins de Araújo encontra-se fechada e tomada pelo mato. O MPF/RR instaurou inquérito civil público para apurar o caso.

Durante a diligência, o Ministério Público Federal identificou que não só a escola Hélia Martins de Araújo está fechada, mas a escola municipal localizada na vila mais próxima Santa Luzia, cerca de 20 quilômetros, também não funciona. Conforme identificado pelo MPF no período de 2006 a 2010, as crianças estudavam em um barraco construído em uma propriedade privada de um morador que cedeu o espaço para as crianças, porém, os alunos estudavam sem as mínimas condições pois não tinham merenda escolar e nem material didático.

Os moradores já haviam procurado a Câmara Municipal e o prefeito para relatar a situação, porém, não obtiveram resposta. “Devido a distância de outras vilas, fica impossível o deslocamento diário das crianças. É muito triste ver uma escola que não cumpre seu papel” desabafou Luzia da Conceição moradora da Vila.

O Ministério Público Federal apurou que no final de 2010, a única professora que lecionava naquelas condições, desistiu de dar aula para as crianças alegando que não estava recebendo o salário e desde então, as crianças ficaram sem estudar. “Desde a conclusão das obras, no início deste ano, o prefeito trancou a escola com cadeados, mantendo-a trancada sem professores e sem aulas para as crianças da comunidade” afirmou a moradora da Vila durante a diligência realizada pelo MPF.

De acordo com a procuradora da República Daniela Caselani Sitta, o Ministério Público Federal requisitou ao prefeito de Bonfim, no prazo de 10 dias, informações sobre o funcionamento da escola, o motivo de as aulas não terem se iniciado e o prazo para sanar a irregularidade referente a falta de aula, sob pena de serem adotadas outras medidas para solucionar a questão.

Clique aqui para visualizar o relatório de diligência

Fonte: MPF – Ministério Público Federal

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