Munduruku queimam o quartel da PM

O grupo da etnia Munduruku teria invadido e ateado fogo no destacamento da Polícia Militar do município. Área recebe reforço no policiamento.

O quartel da Polícia Militar em Jacareacanga, município do oeste do Pará distante 1.162 km da capital, foi invadido na noite de segunda-feira, saqueado e queimado por 50 índios Munduruku. O incêndio seria represália ao assassinato, há quinze dias, do índio Lelo Akay, morto a facadas e pauladas durante assalto por dois homens que chegaram a ser presos, mas foram soltos pelos militares. Quatro pessoas são suspeitas do crime. Akay levava consigo algumas pepitas de ouro, que foram roubadas pelos criminosos.

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a morte do índio e a destruição do quartel. O delegado Sílvio Maués, diretor de polícia do interior, informou que reforços já foram enviados para restabelecer a ordem em Jacareacanga. Os índios continuam na cidade, prometendo incendiar bares suspeitos de vender drogas. Cerca de 500 índios estariam na cidade à procura dos matadores de Akay.

Segundo Maués, dos quatro suspeitos do crime, dois tiveram a prisão preventiva decretada e foram presos. Os outros estão em liberdade. Para o delegado, a revolta dos índios seria a permanência em liberdade dos outros suspeitos. Após queimar tudo o que encontraram pela frente dentro do quartel sem encontrar qualquer resistência dos militares, que fugiram, os índios se apossaram de duas metralhadoras e um revólver calibre 38. Um grupo numeroso de índios teria se deslocado para a cidade de Itaituba também para protestar contra a morte de Akay e encontrar os suspeitos do crime. O quartel da PM no município entrou de prontidão.

O Diário conversou por telefone com alguns comerciantes de Jacareacanga e eles informaram que o clima na cidade é de medo. Pedro Oliveira contou que os índios chegaram pintados para a guerra, fechando a estrada de acesso à área urbana com manilhas de cimento armado. “Quatro Pms que estavam no quartel fugiram só com a roupa do corpo, deixando tudo o que tinham para trás”, disse Oliveira. Ele relatou que o índio Aldo Cardoso Munduruku, líder do grupo, tinha a intenção de fazer refém o sargento PM Cajado. “O Aldo gritou na cidade que os índios iam pegar o sargento Cajado, tirar a roupa dele e amarrá-lo. Ele dizia que se o “branco” tinha matado índio escondido, os índios iam matar o sargento para todo mundo ver”, completou Maria Conceição.

Os Munduruku, temidos pelo espírito guerreiro, têm forte presença na vida social e econômica de Jacareacanga, com 37 mil habitantes. Dos nove vereadores da cidade, quatro são índios. O vice-prefeito também pertence à etnia. Cerca de seis mil índios vivem na região.

Fonte: Diário do Pará

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