União em prol dos animais

Em 2012, 80% das ocorrências de tráfico de bichos silvestres no DF foram registradas em virtude de denúncias da população. Intensificação das ações de combate a esse tipo de crime reduz o número de casos na capital

O combate ao tráfico de animais silvestres no Distrito Federal tem uma aliada de peso. No primeiro semestre deste ano, das 42 ocorrências registradas pelo Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) envolvendo esse tipo de crime, 80% delas só vieram à tona graças a denúncias anônimas feitas pela população. Ao mesmo tempo em que as delações não param de crescer na capital do país, o número de crimes contra a fauna nos seis primeiros meses de 2012 despencou sensivelmente em relação ao mesmo período do ano passado, quando ocorreram 186 casos.

Para o comandante do BPMA, coronel Cláudio Ribas de Sousa, a intensificação das operações da corporação realizadas ao longo de 2011 surtiu efeito positivo, o que, segundo ele, explica a atual queda do total de delitos. “Com a divulgação do nosso trabalho, as pessoas passaram a entender que isso é crime e deixaram de lado a atividade”, destaca Sousa.

Entre os animais silvestres que são alvos constantes dos criminosos estão os pássaros canário-da-terra, trinca-ferro, papagaio e papa-capim. Répteis como jabutis e cobras exóticas também englobam a lista dos traficantes. Até abril deste ano, o BPMA apreendeu 183 aves das quatro espécies citadas e 59 jabutis. Todos foram flagrados em situação de cativeiro e seriam vendidos ilegalmente.

A comercialização de animais silvestres é a terceira atividade ilícita mais praticada no país. Perde apenas para armas e drogas. Segundo o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no DF, Luiz Eduardo Nunes, o Aeroporto Internacional de Brasília serve de porta de entrada para traficantes, que vêm do Norte e do Nordeste para realizar escalas rumo ao Sul e ao Sudeste. “Alguns desses bichos seguem para o exterior, principalmente para a Europa, o que torna o país rota internacional”, explica.

A Polícia Federal (PF) e a Receita Federal atuam na repressão desse delito no terminal da capital. O transporte por via terrestre também é comum. Nunes afirma que todas as pistas de chegada ao DF fazem parte do roteiro dos criminosos. Alguns importam os bichos de países da América do Sul, como Bolívia, Chile e Peru. “Por terra, pegamos muitas aves. Já pelo ar, são apreendidos répteis, aracnídeos e até ovos de pássaros raros”, detalhou o superintendente.

Jabuti na mala

O chefe substituto da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Delemaph) da Superintendência da PF no DF, Flávio Maltez Coca, contou que o registro mais “esdrúxulo” registrado pelo órgão ocorreu durante a prisão de um homem que trazia na mala vários tracajás — espécie de quelônio comum no Amazonas. “Em muitos dos casos, os bichos chegam até o destino final mortos, pois não sobrevivem à viagem”, diz Coca. Além da capital do país, a PF atua em 33 municípios de Goiás, incluindo cidades do Entorno.

O episódio incomum dos tracajás soma-se aos de dois pelicanos. No fim do ano passado e no começo de 2012, as aves foram recolhidas no Lago Sul, onde viviam ilegalmente em duas casas. O pássaro exótico marinho não é encontrado no Brasil, onde nem sequer é rota de migração dele. Todos os animais apreendidos pelos órgãos que trabalham no combate ao crime contra a fauna encaminham os bichos para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), unidade do Ibama. No centro, eles passam por avaliações e alguns são devolvidos à natureza. “Geralmente, encontramos os bichos em péssimas condições, mas tentamos levá-los para as áreas de soltura do Ibama quando já estão aptos”, afirma Luiz Eduardo Nunes.

Surpresa em Águas Claras Em 19 de junho, o BPMA apreendeu uma serpente no 15º andar de um apartamento de um prédio em Águas Claras. A polícia acredita que o bicho, uma cobra de milho, tenha sido fruto de tráfico, pois não consta da lista de animais exóticos que têm o licenciamento para entrar no país.

Por: Thalita Lins
Fonte: Correio Braziliense

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