Cresce participação de importados na Zona Franca

Mesmo com a desaceleração dos desembarques, os importados ampliaram sua participação no total dos insumos utilizados pelos fabricantes do Polo Industrial de Manaus no primeiro semestre deste ano. No acumulado de janeiro a junho a participação dos importados nos insumos totais adquiridos na região foi de 58,8%. No mesmo período do ano passado, a fatia era de 55,4%. A conta é feita com base nos valores dos insumos em reais. Os dados são da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Parte do aumento de participação pode ser explicada pela desvalorização da moeda nacional em relação ao dólar, mas nem tudo. Em dólares, de janeiro a junho, a importação de insumos no polo teve, na realidade, queda de 4,12% na comparação com iguais meses de 2011. Na mesma comparação, a redução do total de insumos usados no polo, porém, foi muito maior, de 9,22%. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a importação brasileira total de matérias-primas e bens intermediários teve elevação de 0,43%.

Para José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a evolução mostra que o insumo importado continua sendo atraente, mesmo com desvalorização do real frente ao dólar. A redução na importação de insumos na Zona Franca, acredita, é também reflexo do desaquecimento da economia doméstica. Segundo a Suframa o faturamento no polo industrial de Manaus teve elevação de 3,16% no primeiro semestre deste ano, na comparação com iguais meses de 2011. No primeiro semestre do ano passado a elevação de faturamento havia sido de 12,61%.

Outro problema, lembra Castro, está no mix de insumos aplicados pelos fabricantes da Zona Franca. Muitos desses bens, diz, não possuem fabricantes nacionais ou teve a produção nacional reduzida. O surgimento ou a retomada de oferta doméstica maior depende de uma certeza mais forte sobre o novo nível de dólar em R$ 2,00. “O governo tem sinalizado que esse é o câmbio desejado, mas não sabemos até quando.”

“É muito pouco tempo para a desvalorização do real ter algum efeito na fatia dos insumos importados”, diz Welber Barral, sócio da Barral M Jorge Consultores. “Esse efeito pode demorar mais de um ou dois anos, até.”

Barral lembra que as estruturas de fornecimento global, cada vez mais comuns, também são um desafio para limitar a importação de insumos. “Hoje a produção de uma serra elétrica demanda a importação de insumos de cem países diferentes.” A diversidade de fornecimento é uma forma de utilizar o melhor custo de produção para cada um do insumos. Na indústria eletroeletrônica, a mais representativa em Manaus, a cadeia de suprimentos global é regra e a decisão de mudar fornecedores fica por conta das matrizes das multinacionais.

Por: Marta Watanabe
Fonte: Valor Econômico

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