Disputa em Manaus antecipa embate estadual de 2014

Principal fiador da candidatura da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) à Prefeitura de Manaus, o senador Eduardo Braga (PMDB) tenta manter sobre seu controle o governo municipal para se fortalecer no Amazonas com vistas a 2014. Líder do governo no Senado, Braga articula-se para reduzir a influência no Estado do senador Alfredo Nascimento (PR), desgastado desde que saiu do comando do Ministério dos Transportes, em 2011.

Na eleição passada, Braga e seu candidato, o atual governador Omar Aziz (PSD), derrotaram Nascimento na disputa pelo governo do Estado. O líder do governo no Senado deve lançar-se na próxima disputa estadual.

Braga foi cotado para disputar a prefeitura, mas depois de ganhar a liderança do governo no Senado preferiu ficar em Brasília. O grupo do senador almeja um ministério e ele aproveita para azeitar sua relação com a presidente Dilma Rousseff. Braga diz que foi um dos principais responsáveis pelo êxito eleitoral da presidente no Estado, que lhe conferiu a maior votação proporcional de todo o país em 2010.

Em Manaus, Braga costurou a indicação da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), eleita em 2010 com o seu apoio. A candidatura foi lançada no último dia possível, depois de uma reviravolta dentro do grupo político. A pré-candidata, deputada federal Rebecca Garcia (PP), desistiu de lançar-se depois que surgiram dossiês contra ela, comprometendo sua vida pessoal.

Vanessa conta com a mais ampla aliança na cidade, com PP, PMDB, PSD e tem como vice Vital Melo (PT), ex-secretário do governo do prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB). A aliança rendeu o maior tempo na televisão, 12min35s, 42% do total. O candidato do PSDB, Arthur Virgílio Neto, tem 3min35s, o segundo maior tempo.

De opositora a Braga, Vanessa tornou-se aliada do senador e seu marido, o deputado Eron Bezerra, participa da gestão estadual. A candidata cola sua imagem à de seus padrinhos políticos para tentar alavancar sua candidatura: além de Braga e do governador, a campanha exibe o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma. “Minha relação não é só um alinhamento político. É um alinhamento de ideias, de projetos”, diz. A campanha de Vanessa espera a visita de Dilma e de Lula. A presidente é esperada em Manaus em setembro.

Segundo o Ibope, Virgílio lidera com 29% das intenções de voto; Vanessa tem 19%. O candidato do PSB, o ex-prefeito Serafim Corrêa, tem 11%, empatado com o deputado Sabino Castelo Branco (PTB). Na sequência aparece o candidato apoiado por Alfredo Nascimento, deputado Henrique Oliveira (PR), com 7%. O deputado Pauderney Avelino (DEM) tem 3%.

Para Braga, o apoio dos padrinhos políticos de peso deve mudar o quadro eleitoral na cidade. “Nosso grupo teve dificuldade para encontrar um candidato de consenso. Arthur ganhou espaço com esse vácuo. Agora o grupo voltou está apoiando Vanessa. Em Manaus a tradição mostra que tudo se resolve a 20 dias da eleição. É como uma onda, que ninguém sabe muito bem para onde vai”, diz o senador.

Em meio à exibição de apoiadores políticos, chama a atenção o ostracismo de Alfredo Nascimento, presidente nacional do PR. O candidato de seu partido, Henrique Oliveira, diz que nem pretende exibir a imagem de Nascimento por enquanto, apesar de sua campanha ser monitorada pelo senador. “Não é nossa ideia colocar o Alfredo na televisão neste momento. Tenho que vender minha imagem. Não tem razão para colocar agora”, diz.

Da base do governo Dilma, Serafim Corrêa, preferiu exibir o apoio da ex-senadora Marina Silva. Em 2004, Serafim derrotou o grupo político de Amazonino e rompeu com a alternância de poder entre os mesmos grupos ao eleger-se. Sua gestão, que prometia renovar a política local, no entanto, frustrou a população da capital e ele foi o único prefeito candidato à reeleição em 2008 a não conseguir um novo mandato.

Serafim diz que sua derrota foi porque ele quebrou a hegemonia do grupo dominante. “Esse grupo só perdeu a eleição em Manaus duas vezes: em 1988 para o Arthur Virgílio e em 2004 para mim. Eles se articularam e apoiaram Amazonino de forma muito hegemônica”, afirma. “Amazonino ganhou fazendo promessas que não cabiam no orçamento municipal. O resultado está ai: quatro anos depois não teve condições de rearticular sua reeleição.”

Em sua quinta disputa pela Prefeitura de Manaus, Serafim, conhecido como Sarafa, tem como uma de suas principais bandeiras a distribuição de um computador, que se transforma em tablet, para cada aluno. Aos mais carentes, o candidato do PSB acena com o pagamento da ligação de água para 40 mil famílias que não podem pagar pelo serviço. O abastecimento é um dos principais problemas da cidade. O serviço foi privatizado e o contrato com a empresa foi repactuado duas vezes: uma na gestão Serafim, em 2007, e outra na atual administração, no ano passado.

A proposta com maior apelo popular, no entanto, vem do candidato do DEM, Pauderney Avelino: a distribuição de poupanças de até R$ 4 mil para manter os alunos na escola. “O impacto será maior do que o Bolsa Família”, anuncia.

Com propostas voltadas para os pobres, o deputado Sabino Castelo Branco (PTB) promete melhorar a vida sobretudo da população que vive na zona leste, área mais populosa e mais carente, que sofre com a falta de água. O candidato, no entanto, é um dos mais ricos desta eleição e usa um helicóptero para fazer campanha.

Com a saúde debilitada, o prefeito Amazonino Mendes, acompanha à distância a sucessão. Nesta semana Amazonino foi operado em São Paulo para colocar duas pontes de safena e permanece internado. Apesar de ter a participação de seu ex-secretário na chapa de Vanessa, a maior parte de seu grupo político apoia Virgílio. Amazonino não quis disputar a reeleição.

Fonte: Valor Econômico

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