Em périplo eleitoral, Marina dá apoio a Serafim em Manaus

A ex-senadora Marina Silva declarou ontem apoio ao candidato do PSB à Prefeitura de Manaus, o ex-prefeito Serafim Corrêa. Sem partido e sem mandato, Marina tem feito um périplo pelo país para reforçar candidaturas de diferentes legendas, como PSOL, PT, PPS, PDT e PV. A ex-parlamentar não descartou a possibilidade de disputar novamente a Presidência em 2014, mas negou que esteja buscando nesta eleição aliados para criar um novo partido político.

Ao anunciar a adesão à candidatura de Serafim Corrêa, Marina disse que dará apoio para quem estiver comprometido “com a ética na política e com a sustentabilidade”.

“Se eu estivesse fazendo cálculos pragmáticos, estaria preocupada em fazer a campanha de pessoas que seriam da minha possível base. Como eu não tenho partido, então tenho liberdade para olhar para quem tem compromisso com essa agenda, olhar para o PT, PV, para as pessoas que estão em outros partidos e apoiar essas candidaturas, em nome de tornar relevante uma forma diferente de fazer política”, disse a ex-parlamentar na tarde de ontem, em um hotel em Manaus.

Candidata à Presidência em 2010, com 20 milhões de votos, a ex-senadora comparou seu envolvimento em campanhas eleitorais deste ano a um trabalho missionário.

“Se eu tivesse pensando em algo pragmático, em 2014, não estaria fortalecendo candidaturas de outros partidos. Quero que essa questão [da sustentabilidade] seja relevante. Eu não sei, sinceramente, se serei candidata em 2014. A única coisa que sei é o seguinte: se no PSB tiver um homem comprometido com essa luta, então eu apoiarei de forma programática, sem a ansiedade que, ao final, tenha “não sei quantos” prefeitos e vereadores que eu apoiei”, afirmou Marina. “Estou fazendo algo que é em defesa da sustentabilidade. Se a melhor forma de fazer esse trabalho é ser missionário, é isso que eu vou fazer”, completou.

Ex-filiada ao PT e ao PV, Marina disse esperar fortalecer o movimento que lidera – com as bandeiras de uma nova forma de fazer política e de defesa do desenvolvimento sustentável –, antes de pensar em criar um partido político. “O movimento terá de ser maior do que os partidos, maior do que cada um de nós individualmente. Então não tem nenhum problema de ser do PT e ser do movimento. Nenhum problema de ser do PSB e estar no movimento. Por isso não quis essa história de criar um partido de forma extemporânea. O mais importante para mim é o movimento”, reforçou.

Em Manaus, a ex-senadora lembrou do tempo que morou na cidade, por quase um ano, quando criança, e disse que foi nessa época em que começou a sonhar em ser freira. “Sempre tive uma fé muito vigorosa”, comentou. “Minha avó dizia que para ser freira eu não podia ser analfabeta e superei o analfabetismo para realizar meu sonho”, disse, lembrando depois que superou o desejo de se tornar freira.

Ao seu lado, Serafim disse ser grato a Marina desde 1996, quando a ex-senadora o apoiou naquela disputa pela prefeitura da capital do Amazonas. Nesta eleição, Serafim aposta no apoio da ex-senadora para tentar reverter a desvantagem eleitoral. Nas pesquisas de intenção de voto o candidato do PSB aparece em terceiro lugar. Em 2008, então à frente do comando municipal, Serafim foi o único prefeito a disputar a reeleição e perder.

Antes de ir a Manaus e reforçar a candidatura do PSB, Marina esteve em Belém para declarar apoio ao candidato do PSOL. A ex-senadora anunciou sua adesão também às candidaturas majoritárias do PSOL em Macapá, do PPS em São Luís e em Assis (SP), do PT em Contagem (MG), Taubaté (SP) e Amparo (SP) e ao PDT em Fortaleza. Em Maceió, reforçou a candidatura à reeleição da vereadora Heloisa Helena (PSOL) e em São Paulo oficializou apoio ao candidato a vereador Ricardo Young (PPS).

Na disputa pela Prefeitura do Rio, Marina disse estar dividida entre as candidaturas da vereadora Aspásia Camargo (PV), que reforçou sua campanha à Presidência, em 2010, e de Marcelo Freixo (PSOL), que agrega a maior parte dos seus apoiadores da disputa presidencial. “Estou em processo de amadurecimento”, comentou, referindo-se ao Rio. Em São Paulo, não manifestará apoio.

Por: Cristiane Agostine
Fonte: Valor Econômico

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