Empreiteira nega em CPI denúncia de trabalho insalubre nas obras de Jirau

Luiz Carlos Martins, da Camargo Corrêa, desmentiu as denúncias.

O diretor de Energia da construtora Camargo Corrêa, Luiz Carlos Martins, negou nesta terça-feira (21) a existência de trabalho insalubre nas obras da usina hidrelétrica de Jirau, em Rondônia. Ele participou de audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas.

Na reunião, os parlamentares apuraram denúncia de violação dos direitos humanos sofrida por operários da construção que participaram de movimento grevista em março de 2011. Em meio a uma revolta, os funcionários incendiaram grande parte do canteiro de obras da hidrelétrica.

Para desmentir questionamentos sobre supostas más condições de trabalho em Jirau, Martins destacou iniciativas da construtora nas áreas de capacitação profissional e educacional dos operários, além de mostrar fotografias do canteiro de obras, inclusive o refeitório e a área de lazer.

Desaparecidos

O advogado Ermógenes Jacinto de Souza, que atendeu trabalhadores presos após o fim da greve, rebateu as declarações de Martins. Souza indagou às autoridades presentes na audiência onde estariam os 13 operários que desapareceram após os incêndios dos canteiros. “Por que esses homens ainda foram procurados em seus estados de origem?”, perguntou.

De acordo com o secretário de Segurança, Defesa e Cidadania de Rondônia, Marcelo Nascimento Bessa, existem mandados de prisão expedidos contra esses operários, sendo eles, portanto, foragidos da Justiça.

Espancamento

Antes do debate, o operário Raimundo Braga de Souza reafirmou a denúncia de que foi espancado após os incêndios nas obras da usina hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, em março de 2011. Braga era empregado da empreiteira. Ele relata que na ocasião teria sido espancado por policiais para que admitisse ter incendiado o canteiro de obras.

“Me jogaram dentro da viatura, entrou um de um lado e outro do outro, e já (começaram a dar) pancada na boca do estômago. Eles (então falavam): olha aí desgraçado o que você fez.”, relatou.

Raimundo ficou 54 dias preso, e foi absolvido na primeira audiência por falta de provas no envolvimento com os incêndios. Os alojamentos da obra de Jirau foram incendiados após o fim da greve que aconteceu em 2011. Mas até hoje não se sabe de quem foi a iniciativa de depredar o canteiro de obras.

O deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), avaliou que o assunto debatido não está no objeto de investigação da CPI do Tráfico de Pessoas. “Na minha opinião houve um desvio do objeto da CPI. Se há suspeitas de que os canteiros de obras não oferecem boas condições de trabalho, nós temos que investigar talvez na Comissão de Direitos Humanos ou criar uma Comissão parlamentar de Inquérito específica para isso”, afirmou.

Pertinência

O presidente da CPI, deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), defendeu, contudo, o debate sobre o tema. “Com 13 pessoas desaparecidas, admitidas inclusive pelo secretário de Segurança Pública de Rondônia, admitida pelas empresas e sindicatos. Existe um cidadão, Raimundo, que é espancado, passa 54 dias preso e foi absolvido por falta de provas e alguns deputados acham que isso não tem nada a ver, que não é pertinente à comissão investigar”, questionou.

Arnaldo Jordy anunciou que a comissão votará requerimentos solicitando que a Polícia Federal investigue o desaparecimentos dos 13 trabalhadores. Outra medida proposta pelo deputado é que a Defensoria Pública da União entre no caso e possa dar suporte aos trabalhadores que estão respondendo a processo judicial.

A CPI também pretende investigar denúncias de que existem pessoas cobrando para levar jovens nordestinos para trabalhar nas obras das usinas. O representante da Camargo Corrêa negou que a empresa tenha envolvimento com esses aliciadores, e afirmou que, em 2010, pediu à Polícia Federal que investigue esses episódios.

Fonte: Agência Câmara

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