Ibama pede outra oferta

A demora do governo em dar respostas aos servidores federais que pressionam por aumentos salariais está causando lentidão nos licenciamentos ambientais. Há um clima de falta de motivação na carreira, em estado de greve há mais de dois meses. Com isso, o número de licenças concedidas caiu de duas por dia para uma a cada cinco dias. Isso atrapalha os planos do próprio Executivo, que priorizou as obras de infraestrutura como forma de impulsionar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), cuja previsão já é de ficar abaixo de 2% em 2012.

Durante o período de estado de greve, os servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes e do Serviço Florestal Brasileiro continuaram trabalhando, mas deixaram de fazer horas extras. Com isso, o volume de trabalho acumulou-se. “O ritmo de concessão de licenças está bem mais lento, porque o pessoal da carreira está muito desestimulado”, afirmou Henrique Marques, presidente da Asibama-DF, entidade que representa os especialistas em meio ambiente no Distrito Federal.

O atraso na concessão de licenças é a principal arma de pressão dos servidores da área ambiental, que têm salário inicial de R$ 4.818. Eles querem a reestruturação da carreira e a elevação dos vencimentos a um patamar semelhante ao dos analistas em infraestrutura, cuja remuneração é cerca de 40% maior. “Essa diferença é injusta, pois temos trabalhos muito similares”, argumentou Marques.

Os servidores têm a expectativa de que o governo leve algum plano à mesa de negociação que ocorrerá hoje, às 9h30, no Ministério do Planejamento. Eles não estão, no entanto, dispostos a aceitar a proposta de reajuste pretendida pelo Executivo para todo o funcionalismo, de 15,8%. Está programada uma manifestação para as 9h, em frente ao ministério. Caso o governo apresente alguma oferta diferente, ela será levada aos estados, que farão assembleias nas quais os servidores decidirão se irão aceitar ou entrar em greve.

Por: Mariana Mainenti
Fonte: Correio Braziliense

Deixe um comentário