Norte Energia troca comando após manifestações pelo cumprimento de condicionantes de Belo Monte

Carlos Nascimento deixa a presidência da empresa responsável pela implantação da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), e dá lugar a Duílio Diniz, então diretor geral do consórcio que administra a hidrelétrica Machadinho, no sul do País. Substituição se dá após paralisação do canteiro de obras com as manifestações indígenas pedindo cumprimento de condicionantes

As últimas semanas foram recheadas de mobilizações indígenas pedindo o cumprimento das condicionantes e o início imediato da execução do componente indígena do Plano Básico Ambiental (PBA-CI) nas aldeias da Volta Grande do Xingu, em Altamira (PA). A última manifestação ocorreu no final de julho, com a detenção de funcionários da Norte Energia na Terra Indígena Paquiçamba, após reunião para explicar o mecanismo de transposição de embarcações depois do barramento definitivo do Rio Xingu. Com essa medida, os indígenas afetados por Belo Monte conseguiram novo acordo com a empresa, mas três dias depois (30/07), o presidente Carlos Nascimento foi substituído.

Carlos Nascimento, que já tinha sido presidente da Eletronorte e possuía conhecimento das demandas indígenas pela relação estabelecida com os Waimiri-Atroari na hidrelétrica de Balbina (AM), deu lugar a Duílio Diniz, então diretor geral do consórcio que administra a hidrelétrica Machadinho, no sul do País.

Nascimento estava à frente da Norte Energia desde sua criação e ainda poderia ter seu mandato renovado, mas o Conselho de Administração da Norte Energia resolveu mudar o comando. Nascimento contava com a expertise obtida na implantação do programa entre os Waimiri Atroari para implantar os programas contidos no PBA indígena de Belo Monte e negociar as demandas das populações indígenas residentes na área de influência da hidrelétrica.

Em contrapartida, Diniz entra com um cenário conturbado, sem muita “experiência” com a questão indígena e com muitas negociações em andamento. Seu mandato deverá ir até julho de 2014. E apesar da mudança ocorrer em meio a tanto tumulto, a assessoria da empresa reforça que a substituição não está relacionada aos últimos acontecimentos. Resta saber qual o significado real desta mudança por parte do Conselho da Norte Energia no estilo de enfrentamento dos conflitos que decorrem da natureza e da forma atabalhoada como vem se dando o licenciamento da obra.

Fonte: ISA – Instituto Socioambiental

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