Novas rotas do agronegócio

Centro-Oeste concentra estradas e ferrovias do Plano de Logística anunciado pelo governo

O  agronegócio do Centro-Oeste foi o maior beneficiado pelo pacote federal  de investimentos em logística terrestre, anunciado pela presidente  Dilma Rousseff na quarta-feira. Nove dos 12 trechos rodoviários que  serão duplicados em cinco anos, a partir de 2013, atravessam a região,  assim como cinco das nove novas linhas ferroviárias. Para os líderes  empresariais da agricultura, os projetos têm alcance estratégico, mas  precisam sair o quanto antes do papel para estancar perdas acumuladas  pelo setor.

Um dos projetos que mais interessam aos agricultores é  a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico). Trechos previstos no  pacote conectam Lucas do Rio Verde (MT) à Ferrovia Norte-Sul, em Uruaçu  (GO). A partir daí, os trilhos seguem até Campos (RJ), atravessando o  Distrito Federal e Minas Gerais.

A principal região produtora de  grãos do país é também a que mais sofre com as falhas na infraestrutura  de transportes. “Quero ver as obras. Não adianta dizer que tem plano de  R$ 133 bilhões para três décadas”, desabafou Carlos Fávaro, presidente  da associação que reúne produtores da soja de Mato Grosso (Aprosoja),  estado responsável por um terço da produção.

Segundo dados do  setor, os custos logísticos são crescentes em razão de mais da metade da  soja exportada pelo Brasil chegar aos portos por caminhões, passando  por estradas esburacadas, sobretudo as do Centro-Oeste. O ralo da  infraestrutura engole R$ 4 bilhões por ano. Apesar das graves restrições  logísticas, tanto de rodovias quanto de ferrovias,  Mato Grosso tem uma  agricultura moderna e deverá colher até o próximo ano a maior safra de  soja de sua história, estimada em 24 milhões de toneladas. Ela segue por  caminhões na BR-163 até os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). Não  por acaso, essa rodovia está no pacote do governo.

Para adiantar  os trabalhos do pacote, o governo publicou ontem no Diário Oficial da  União a liberação de R$ 455 milhões ao Ministério dos Transportes para  construir, ampliar e reformar rodovias e ferrovias. Do total, R$ 140  milhões serão destinados a projetos ferroviários. Nesse grupo, estão  ramais sonhados pelo agronegócio do Centro-Oeste: a ligação entre as  goianas Anápolis a Uruaçu e Palmas (TO).

Reações No geral, a  maior expectativa do setor privado em relação ao pacote está nos ganhos  de produtividade e de competitividade das empresas. Para o presidente da  Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, os novos  projetos anunciados são fundamentais para escoar a produção, assim como  os futuros para portos e aeroportos. O presidente do Banco  Interamericano de Desenvovimento (BID), Luis Alberto Moreno, afirmou que  o plano é importante para aumentar a competitividade: “O Brasil está  muito à frente dos outros países da América Latina, mas muito aquém dos  desenvolvidos”.

Fonte: Correio Braziliense

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