Altamira lamenta emancipação de Vitória do Xingu

A polêmica em torno dos favoráveis e contrários à construção da usina de Belo Monte passa ao largo das eleições em Altamira, a principal cidade da região onde as obras estão sendo feitas. Em uma acirrada e movimentada disputa eleitoral, três conhecidos candidatos da população centram os debates em como atenuar os efeitos da usina na cidade, como a migração em massa e as consequências no atendimento à população. Em pauta estão termos como “pós-Belo Monte” e a eleição do prefeito para o período “mais importantes da história da cidade”.

“A polarização está superada. A hidrelétrica sempre foi uma aspiração da população, que sempre quis viver essa possibilidade para trazer desenvolvimento para a cidade”, diz Claudomiro Silva (PSB), que governou Altamira entre 1997 e 2000.

Claudomiro conta que o auge da polarização foi em 1989, quando estiveram na região artistas como Sting e Lucélia Santos para contestar a obra: “Naquela época os contrários à construção tinham mais força. Hoje isso mudou e a preocupação da população é garantir que os impactos sejam minimizados por meio de uma boa negociação com as empresas diretamente envolvidas na construção.”

Em comum entre as candidaturas há o lamento, mais de vinte anos depois, pela criação de Vitória do Xingu, antigo distrito de Altamira emancipado em 1991. “Foi um erro político gravíssimo com Altamira, falta de comprometimento mesmo. Vamos pagar caro por isso. Tudo para ser resolvido tem que ser em Altamira. Vamos ficar com os ônus, e Vitória com os bônus”, disse Valdeci Maia, coordenador da campanha do também ex-prefeito Domingos Juvenil (PMDB). Até então, Vitória funcionava como porto para Altamira, que não tem trecho navegável para grandes embarcações.

Como não há o que fazer em relação a isso, a campanha do pemedebista também defende o intenso diálogo com as empresas ligadas à obra. No entanto, segundo o secretário extraordinário para Assuntos de Energia do Pará, Nicias Ribeiro, um dos responsáveis pela criação de Vitória do Xingu, a área hoje pertencente á usina integrava o território de Senador José Porfírio, cujo núcleo urbano é mais distante ainda de Altamira. Sua ideia foi, assim, trazer a usina mais próxima da cidade.

O candidato da situação em Altamira é Délio Fernandes (PR), apoiado pela prefeita Odileuza Sampaio, há oito anos no cargo e que não tem boas relações nem com a Norte Energia nem com o Consórcio Construtor de Belo Monte. Daí porque as outras candidaturas investem no discurso do “diálogo” e da “negociação” com elas.

O PT está aliado a Claudomiro. Historicamente, o partido nunca foi forte na cidade nem na região, tendo em vista sua histórica oposição á construção da rodovia Transamazônica e a própria usina de Belo Monte, até o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolver apoiar a proposta. A gestão de Ana Júlia (PT) no governo do Estado, considerada insatisfatória para a região, agravou esse quadro.

De todos os candidatos, dois enfrentam sérios problemas na Justiça. Domingos Juvenil, ligado ao senador Jader Barbalho (PMDB-PA), é acusado de desviar milhões de reais durante sua gestão à frente da Assembleia Legislativa do Pará, entre 2007 e 2010. Délio Fernandes integra a ação do Ministério Público Federal sobre irregularidades na Superintendência da Amazônia (Sudam). Claudomiro, por sua vez, pode ter sua candidatura impugnada em razão da Câmara ter apontado irregularidades nas contas referentes ao período em que foi prefeito.

Fonte: Valor Econômico

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