Pracaxi dá adeusinho às estrias

A safona do engorda-emagrece mais cedo ou mais trade deixa seu rastro de marcas nos bumbuns, seios, barrigas, pernas e braços da nação. As famigeradas estrias não perdoam quem tem tendência hereditária ou simples má sorte com a elasticidade da pele. E, embora afetem mais as mulheres, também castigam os homens.

Para complicar a vida de quem quer exibir decotes, regatas, alcinhas, shorts e minissaias, a grande maioria dos cosméticos são preventivos: uma vez instaladas, as tais marcas já não têm remédio à base de creminhos. Só mesmo cirurgias, lasers e demais intervenções radicais.

Pois estas “verdades universais” podem ser abaladas pelo óleo de uma árvore amazônica, chamada pracaxi (Pentaclethra macroloba) ou pracachy, na versão conhecida no exterior. Trata-se de uma Fabaceae (antes chamada de leguminosa, por ter os frutos em forma de vagens) de até 14 metros de altura, geralmente encontrada nas várzeas inundáveis, desde a Nicarágua até a Amazônia brasileira.

A safra ocorre nos meses de fevereiro e março, quando as favas de 20 a 25 centímetros são coletadas nas praias e nas margens dos rios. Cada fava tem 4 a 8 sementes, de onde o óleo é extraído após cozimento e maceração. Entre os ácidos graxos presentes no óleo estão o láurico e o mirístico, também encontrados no murumuru (veja o texto “Murumuru, a proteção que respira”, postado no dia 6/9/2012, aqui no Biodiversa); o linoleico, presente no abacate; e, o mais importante, uma alta concentração de ácido beênico, responsável pela hidratação profunda da pele.

O ácido beênico é encontrado no amendoim (cujo aroma parece com o do pracaxi), na colza e nas sementes de acácia-branca e já é utilizado pela indústria cosmética como alisante, em condicionadores e hidratantes para cabelo. Mas a concentração desse ácido graxo raro no pracaxi é bem maior, daí seu potencial em cremes e hidratantes para o tratamento – e não só prevenção – de estrias.

“O óleo de pracaxi está se transformando em um produto cosmético fantástico, capaz de reverter estrias”, afirma o químico Luiz Moraes, diretor da Amazon Oil, empresa sediada em Ananindeua, no Pará. Ele faz questão de dizer que trabalha “de braços dados com a academia” e colabora fornecendo amostras para “qualquer instituição que bata à porta”, com o objetivo de desenvolver novos produtos e nichos de mercado para os óleos amazônicos.

“Esses óleos dependem do mercado para que haja um fluxo de colheita e a certeza de comercialização”, continua Moraes. “Moro na Ilha de Marajó e minha empresa é de amazônidas: sei o que acontece com os povos da floresta quando seus produtos não são comercializados. Quem sente é quem está na floresta”.

“Nosso principal gargalo chama-se demanda”, continua ele. “A indústria ainda não acredita que esses produtos oriundos da floresta possam ter qualidade, com continuidade de oferta e preço estável”. Quem sabe no caso do pracaxi o gargalo se desfaça. Estrias é que não faltam para garantir a demanda!

Fotos: Luiz Moraes/Amazon Oil (árvore de pracaxi com favas, ao alto, e sementes secas)

Por: Liana John
Fonte: Planeta Sustentável 

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Um comentário em “Pracaxi dá adeusinho às estrias

  • 9 de julho de 2018 em 11:20
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    Bom dia!
    Meu nome é Hanna Silva estou fazendo um trabalho sobre o pracaxi e gostaria de saber se vocês possuem os dados de quanto uma árvore de pracaxi produtos de frutos/sementes.

    Obrigada!

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