Índios que viajaram dias para votar estão com surto de diarreia

Equipes de saúde em Atalaia do Norte (AM) detectaram um surto de diarreia no grupo de índios que ficou sem dinheiro para retornar às suas aldeias após votar nas eleições, há duas semanas.

No fim da semana passada, duas crianças com menos de dois anos morreram com esse quadro. Até ontem, outras 13 permaneciam internadas com diarreia, vômito e febre. Uma outra, com problemas respiratórios, foi transferida para o hospital do Exército de Tabatinga (AM), cidade vizinha.

Cerca de mil índios chegaram à cidade depois de terem recebido combustível de candidatos, o que está sendo apurado, pois pode configurar crime eleitoral. O trajeto de barco entre a aldeia e a cidade (1.036 km de Manaus) leva até dez dias. Na volta, sem dinheiro para o combustível, ergueram acampamento à beira de um rio.

Ontem, a Fundação Nacional do Índio (Funai) disse que, das 94 canoas, 69 já retornaram à terra indígena do Vale do Javari. Os demais índios permanecem à espera dos filhos internados. O temor é que o surto se espalhe na aldeia.

Heródoto Jean, coordenador do distrito sanitário indígena, do Ministério da Saúde, disse que equipes da Força Nacional de Saúde e da Defesa Civil estão na cidade dando assistência aos índios. São dois médicos, uma enfermeira e uma técnica de enfermagem.

Eles detectaram que a água consumido pelos índios, que foram abrigados em canoas e barracas de lona, na margem do rio, estava contaminada.

Fonte: Folha de São Paulo

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