Belo Monte ocupada à espera de acordo

Justiça de Altamira, no Pará, tenta costurar nesta segunda-feira um acordo entre a concessionária Norte Energia, responsável pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, e aproximadamente 200 manifestantes que ocupam um dos três canteiros de obras da empresa desde a última segunda-feira. Os moradores das redondezas da área onde está sendo erguida a barragem e comunidades indígenas da região resolveram unir forças contra a empresa, que bloqueou o curso de um rio para que as obras pudessem avançar.

Ontem, terminou sem sucesso o prazo que a Justiça deu para a Fundação Nacional do Índio (Funai) mediar a desocupação da área. Os manifestantes — índios, pescadores, ribeirinhos e pequenos agricultores — alegam que a Norte Energia não cumpre as condicionantes firmadas com a população local. O encontro será presidido pelo Ministério Público Federal, no local da ocupação, e contará com a participação de representante de cada grupo, da Funai e da Defensoria Pública do Pará, para defender aqueles que não têm advogado constituído.

De acordo com Maira Irigaray, advogada do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, organização de entidades contra a instalação da usina, muitos acordos firmados com as comunidades não foram cumpridos. Os questionamentos vão desde o atendimento básico de saúde para as aldeias indígenas até a construção de um hospital. “Por isso, a obra está parada. Tem pacto que não foi cumprido desde 2010. Alguns de antes do leilão (de concessão da usina).”

Para Juma, 20 anos, da etnia Xipaya, o problema é ainda maior pois alterou as rotas de trânsito das comunidades indígenas. “Antes, cada um tinha a sua área, não tinha choque nenhum. Hoje, tem conflito todo dia”, conta. Pelo menos cinco etnias convivem na área de influência da usina. Juma diz que a empresa não cumpre os acordos. “Vai ser como das outras vezes, a gente chega a um consenso, mas a empresa não cumpre a parte dela. Existe interesse para que a obra volte logo porque o inverno vai chegar e, nessa época, não dá para fazer muita coisa. Só que dessa vez, nós não vamos tolerar esse descaso e a situação pode se agravar ainda mais”, desabafa.

Anorte Energia informou, em nota divulgada na terça-feira, que não foi apresentada nenhuma reivindicação das comunidades e que, no dia da ocupação, operários foram mantidos reféns e liberados horas depois. O canteiro de obras foi interditado, para preservar a segurança dos 900 trabalhadores, que foram transferidos para local seguro. A empreiteira entrou com processo de reintegração de posse do canteiro ocupado.

Por: Grasielle Castroa
Fonte: Correio Braziliense 

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