Demanda menor deixa mineradoras mais cautelosas

A crise econômica internacional e a consequente redução da demanda por produtos da mineração deverão tornar as companhias do setor mais criteriosas em relação à implantação de novos projetos. A afirmação foi feita ontem por Philip Hopwood, líder global para o setor de mineração da Deloitte.

O especialista destacou ainda que os investimentos referentes a projetos iniciados no fim da última década devem ser mantidos. Segundo Hopwood, as mineradoras já estão sofrendo com margens pequenas e, por isso, buscam redução de custos.

Hopwood acredita que o cenário de incertezas frente à desaceleração da economia mundial é agravado pela falta de transparência do governo da China, maior importadora de minério de ferro do mundo. “Ninguém de fato sabe o que está acontecendo [na China]”, afirmou Hopwood, que participou ontem de congresso organizado pela Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), no Rio.

Maior produtora de minério de ferro do mundo, a Vale ainda não decidiu se terá investimentos revistos em função da redução da demanda e da queda do preço das commodities.

Segundo Vagner Loyola, diretor de planejamento de produção de ferrosos da Vale, os investimentos futuros da companhia serão conhecidos em novembro, quando está prevista a divulgação do novo plano de negócios.

Loyola reiterou que a Vale deve produzir, este ano, um total de 312 milhões de toneladas de minério de ferro, mesmo volume registrado em 2011. Segundo ele, a produção pode crescer com a implantação de projetos de expansão, que deverão somar 170 milhões de toneladas de minério de ferro à atual capacidade da companhia, até 2016. O executivo ponderou que parte dessa produção nova será para repor projetos com produção em declínio.

A crise econômica internacional também reduziu, de forma significativa, a demanda por aço, o que levou a Vale a interromper a produção em três das dez usinas de pelotização da empresa. Segundo Loyola, ainda não há uma previsão para a retomada da operação dessas unidades.

O plano de negócios também poderá conter a decisão da empresa em relação à venda dos ativos de óleo e gás. Segundo Vânia Somavilla, diretora-executiva de sustentabilidade e energia da mineradora, a decisão de vender ou não os ativos, além da possível modelagem para o desinvestimento, ainda está em estudo.

“Não tem decisão [sobre os ativos de óleo e gás]”, disse Vânia. “Estamos avaliando as possibilidades”, completou a executiva.

Apesar do cenário internacional de incertezas, o diretor de assuntos minerários do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Marcelo Tunes, afirmou que não houve ainda cancelamento de projetos para a produção de minério de ferro no país. “O que estamos vendo são novos projetos entrando”, destacou Tunes. “Isso é verdadeiro também para outros bens minerais”, acrescentou.

Tunes afirmou que o Brasil deve produzir, até 2016, 820 milhões de toneladas de minério de ferro. Segundo o executivo, este ano a produção deve atingir 510 milhões de toneladas.

Por: Marta Nogueira
Fonte: Valor Econômico 

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