Mineradora reduz gasto de água no Pará

Sebe, diretor da Vale na região Norte, diz que não capta água em rios, mas em barragens de rejeitos da própria empresa

A Vale está incorporando novas medidas para reduzir o consumo de água dos dois maiores projetos de expansão de minério de ferro da empresa no Pará: o que prevê produção adicional de 40 milhões de toneladas por ano, a partir de 2013, e o S11D, na Serra Sul de Carajás, com capacidade de 90 milhões de toneladas anuais, previsto para 2016. Na operação, os dois projetos preveem o beneficiamento a seco do minério de ferro, tecnologia nova uma vez que para peneirar o produto o uso de água sempre foi fundamental. Agora a Vale criou mecanismo para reduzir o consumo de água na fase de instalação dos empreendimentos.

A empresa passou a aproveitar a água usada na lavagem de caminhões betoneiras como insumo na fabricação do concreto utilizado na construção de toda a infraestrutura do projeto adicional de 40 milhões de toneladas. O mesmo sistema também deverá ser aplicado à construção das instalações do S11D. O sistema é simples e surgiu de sugestões de engenheiros para reduzir o desperdício de água na lavagem dos caminhões betoneiras. A água resultante da lavagem dos veículos é depositada em bacias de decantação para depois ser bombeada para a produção de concreto.

Jamil Sebe, diretor de projetos ferrosos da Vale na região norte do país, disse que o desenvolvimento do sistema permitirá à empresa uma economia de 44% na água utilizada para a produção de concreto do projeto adicional 40 milhões de toneladas. A Vale estima que para construir as instalações desse projeto serão necessários 92.895 metros cúbicos de concreto, volume suficiente para construir quase 57 prédios de 15 andares (com quatro apartamentos de 100 metros quadrados de área por andar). Esse volume de concreto vai exigir 18,579 milhões de litros de água, dos quais 44% desse total (8,175 milhões de litros) terão origem em água de reúso. Os restantes 56% serão provenientes de reservatórios alimentados por barragens de rejeito do complexo minerador de Carajás.

Sebe disse que a usina de Carajás em operação não capta água em rios, mas em barragens de rejeito da empresa. A água é um bem escasso na época de seca (seis meses por ano) na Floresta Nacional de Carajás. No sistema convencional de beneficiamento do minério, utiliza-se água para desagregar as partículas, separando-as em diferentes tipos de produtos (sinter feed, pellet feed e granulado). Nesse processo ocorre geração de rejeito que segue para barragem.

Pelo novo sistema, o processo de classificação do minério ocorre a partir da umidade do próprio ambiente. Com isso, dispensa-se o uso de água e elimina-se a geração de rejeitos. Em 2008, a Vale implantou, em caráter experimental, o beneficiamento a seco em Carajás com a modificação de uma linha de produção, o que representava 6% da produção da unidade. Com o sucesso do projeto, iniciou-se a modificação de mais sete linhas, concluídas em janeiro de 2009, as quais representaram 50% do beneficiamento do minério de ferro.

Em 2011, Carajás produziu o volume recorde de 109,8 milhões de toneladas, 8,5% a mais do que em 2010. Sebe disse que as soluções aplicadas aos projetos adicional de 40 milhões de toneladas/ano e S11D são resultado de avanços tecnológicos desenvolvidos nas últimas três ou quatro décadas. O adicional 40 milhões de toneladas, com investimentos de US$ 2,96 bilhões, deve começar a operar em julho de 2013 e atingir plena capacidade no primeiro trimestre de 2014. Encontra-se em fase final de terraplenagem. Já o S11D, com investimentos de US$ 8 bilhões, espera ter a licença de instalação em 2013.

Por: Francisco Góes
Fonte: Valor Econômico

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