Sob críticas, Arraes deixa presidência da Embrapa

Na presidência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desde julho de 2009, o pesquisador carioca Pedro Arraes será exonerado “a pedido” do cargo. A medida deve ser publicada amanhã no Diário Oficial da União.

O Valor apurou, porém, que a saída de Arraes foi determinada pelo governo federal após críticas à sua gestão, sobretudo em relação aos investimentos da Embrapa Internacional. Após a exoneração, será aberta uma sindicância interna para investigar os programas e projetos da área.

A decisão pela exoneração foi tomada na quinta-feira, após uma reunião entre Pedro Arraes, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro e o secretário-executivo da Pasta, José Carlos Vaz. O comando da Embrapa será assumido, interinamente, pela diretora-executiva de Administração e Finanças, Vania Beatriz Castiglioni, que é capixaba e está na estatal desde 1989.

Fontes afirmam que há uma disputa de grupos por mais poder dentro da estatal e que Arraes acabou no meio do fogo cruzado. Após a paralisação dos cientistas, em junho, o ex-presidente foi criticado por não negociar com os grevistas e perdeu mais prestígio junto aos servidores.

No governo, Arraes teria perdido força ao se negar a conversar sobre a transformação da empresa em autarquia especial e diante de suas dificuldades em tornar mais transparentes as finanças e investimentos da estatal. O suposto isolamento da estatal em virtude da visão estratégica, considerada por servidores como “inapropriada”, a falta de renovação de pessoal e de verbas para pesquisas também foram colocados na conta de Arraes.

A estatal perdeu mercado com o avanço das pesquisas com organismos geneticamente modificados (OGMs). Desde 2005, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável por liberar a pesquisa e a comercialização de transgênicos no país, deu sinal verde para a venda de 33 variedades transgênicas no mercado – 14 delas apenas em 2010 e 2011, sendo sete de milho, três de algodão, três de soja e uma de feijão.

A Embrapa responde somente por duas liberações – uma de soja (em parceria com a Basf) e uma de feijão, que ainda não chegaram no mercado. A estatal prevê que a soja estará disponível para o produtor em 2013 e o feijão, em 2014.

Por: Tarso Veloso
Fonte: Valor Econômico

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